segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Dois curtas do Spike Jonze

Spike Jonze é, simplesmente, divino. Ás vezes, fico pensando o quanto é difícil ser original, se a cada vez mais, tudo está sendo feito. O Spike não é só original, como também, é um grande nome do cinema mundial. Desde seus clipes de bandas indies, até os longas Quero ser John Malkovich, Adaptação e Onde vivem os monstros, ele vem mostrando o seu enorme talento. 

Com seus roteiros melancólicos e, aparentemente, inocentes; personagens, psicologicamente, bem elaborados e a sua fotografia triste, as obras de Spike Jonze marcam por seu tom poético, politizado e filosófico. 

Os dois curtas a seguir são Estou aqui, uma obra que fala sobre sentimentos e diferenças dos seres humanos e Scenes from the suburbs, que em parceiria com a banda Arcade Fire, produziu uma extensão do clipe da música The Suburbs, do último álbum da banda. Em ambos os curtas, já ouvi diversos tipos de interpretações que fogem do sentimentalismo escrachado das duas obras. Spike Jonze não é só poesia, há muito mais, implicitamente, em tudo que ele faz.


 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Precisamos falar sobre Kevin (2011)

Não sou psicólogo para dizer exatamente o que é um psicopata. Já li alguns texto e futuramente pretendo ler um livro que fala sobre o assunto. Mas, tentando ser o mais simplista possível, tentarei explicar o que é isso. Antigamente, no meu esteriótipo mundinho infantil, eu pensava que os psicopatas eram pessoas loucas que saiam matando todo mundo. Não é bem assim. A psicopatia é um especie de diferença mental na qual o individuo é caracterizado pela ausência de sentimentos e pelo grave desvio de caráter, devido a falta de remorso e culpa, a frieza e a insensibilidade aos sentimentos alheios.

Em “Precisamos falar sobre Kevin”, baseado no livro homônimo, na qual a capa é a foto de um garoto com cabeça de bicho (clique aqui para ver a imagem), o que já adianta um pouco sobre a história, vemos o processo de crescimento de Kevin, um garoto com fortes traços de psicopatia. Toda a história é contada pelo ponto de vista de Eva, mãe do garoto, que percebe desde muito cedo o comportamento diferente do filho.

Desde muito pequeno, nós percebemos aspectos desse problema na personalidade do garoto, ele é extremamente inteligente, irritante, cruel, manipulador, sem remorso e mentiroso. Quando muito pequeno costumava se recursar a brincar com a mãe e demora muito tempo para começar a falar. Já um pouco maior, por volta dos 8 anos, ainda usava fralda e costumava fazer bagunça com a comida, tudo isso apenas para irritar a sua mãe. Como no caso em que, depois de um longo dia de trabalho dela, decorando o seu quarto, o garoto, em questão de segundos, destrói todo o trabalho feito. Já jovem mata o bicho de estimação da irmã e depois de ser pego pela mãe se masturbando continua a fazer encarando-a. Isso é tudo muito perturbador. Parece que há um certo tipo de obsessão do garoto pela mãe, ele tenta, ao máximo, fazê-la infeliz. Ao contrario do pai, na qual o seu comportamento era totalmente diferente, levando a um certo tipo de manipulação dele para que o pai não perceba a sua crueldade e por isso ponha ele contra a mãe.

Em determinada cena mostra-se o pai e o filho jogando vídeo game. Mesmo não se aprofundando no assunto, o filme abre uma discussão. Muitas pessoas acreditam que filmes e jogos violentos influenciam na personalidade das crianças e a torna-as cruéis. Eu discordo totalmente. A minha geração, por exemplo, foi criada consumindo produtos considerados violentos e eu não conheço nenhum amigo meu que foi influenciado por isso. É porque, normalmente, a mídia tenta justificar acidentes como o da estreia de Batman nos EUA, culpando os grandes produtos da cultura pop. Esse tipo de coisa não faz sentido, até porque o atirador do cinema com certeza tem algum tipo de problema, podendo ser até um psicopata. Na verdade, pelo contrário, esses tipos de produtos são positivos, pois ajudam as pessoas a diferenciar a realidade da ficção e do que é certo e o que é errado.

Devemos elogiar totalmente o trabalho da direção do filme, é simplesmente espetacular. Como o uso do vermelho em cena, por exemplo. Pra começar o filme começa com muito vermelho, na qual a personagem Eva esta no meio de um evento conhecido como Tomatina, uma guerra de tomates que acontece na Espanha. Esta cor está sempre relacionada com o sofrimento da personagem e as suas sequelas pós-tragédia. Uma dica disso é no começo do filme, na pressa em pegar o elevador. o botão é vermelho. Ou seja, o vermelho é algo que a prende ao passado na qual ela tenta se limpar, tanto do corpo, depois da Tomatina, tanto da casa que aparece certo dia suja dessa cor na entrada.

Outra parte espetacular do filme é a cena em que Kevin sai do ginásio após a tragédia. Neste momento entra um áudio de pessoas aplaudindo e gritando por ele, como se fosse um show na qual ele é o espetáculo. Áudio esse que não tem nada haver com a reação das pessoas fora do ginásio. Isso resume o sentimento do personagem de chamar atenção e fazer a mãe sofrer novamente, mas também pode soar como uma crítica a sociedade. Como no termo A Sociedade do Espetáculo, na qual uma grande maioria das pessoas constroem uma imagem de vida feliz e de politicamente correta para se mostrar para as outras pessoas, numa tentativa de ser aceito.

Outra coisa bastante interessante é essa incessante procura por culpado que a sociedade busca, na tentativa de justificar algo que é obvio. Nesse caso é óbvio que o garoto tinha problemas e que o desastre é culpa dos problemas do garoto. Mas o que acontece é que a comunidade culpa a Eva a todo momento. Ou foi isso que pareceu, afinal a agressividade das pessoas da comunidade pode ser uma paranoia da personagem que se culpa como ninguém. Afinal o vermelho está ali a todo momento, mostrando a culpa, o sofrimento e a tristeza de Eva. Então fica a dúvida.

Mas, eu me pergunto, o que fazer se a gente descobrir que um amigo ou parente nosso é um psicopata? Afinal, segundo estimativas, uma a cada trinta pessoas são psicopatas. Lembrando que psicopatas não são, necessariamente, assassinos. "Eles geralmente são médicos, lideres religiosos - daqueles que roubam o dinheiro dos fiéis sabe, políticos, advogados, o amigo que pega dinheiro emprestado e não devolve, aquele que bota a culpa em outros, especialistas em fazer você acreditar na mentira deles, esse tipo de pessoa vive praticamente duas vidas ou mais ao mesmo tempo e não conseguem dar um deslize para que outros saibam que aquilo o que ele diz é mentira. A psicopática geralmente vem agregada ao mentiroso compulsivo." (Fonte) O que fazer? É bem complicado, mas se a gente desconfiar dessas coisas deve-se fazer um encaminhamento a um psicólogo pra tentar descobrir se realmente trata-se disso, pra depois ter um acompanhamento psicológico desse individuo, ou sei lá, tomar alguma providência.



Pra terminar esse imenso post, gostaria de elogiar também os atores. Todos, desde a atriz que fez Eva (Tilda Swinton) até o Kevin em suas diferentes fazes. O filme é um trabalho primoroso de acertos em todos os aspectos e já se tornou um dos meus longas preferidos. Futuramente pretendo ler o livro também, aí quem sabe uma resenha role por aqui.

sábado, 28 de julho de 2012

A dupla personalidade das pessoas do facebook para mostrar que fazem parte da estética da felicidade


É desconfortante quando alguém morre e um conhecido seu faz uma “homenagem” a ele no facebook. Parece querer mostrar pra todo mundo que era amigo dele, que ele era importante e tal. Acho isso muito vazio, na verdade, extremamente vazio e um tanto quanto falso, a partir do momento em que você quer que o restante das outras pessoas saiba disso. Colocar a foto de LUTO então. Parece querer chamar atenção, exatamente no momento em que vivemos, como diriam os antropólogos, na Sociedade do espetáculo.

É totalmente triste as pessoas forçarem o quanto são felizes. Mostrar pra todo mundo seu status de relacionamento e mandar uma mensagem de amor clichê pra todo mundo ver, é claro. Cara, sentimento só cabe às pessoas que lhe interessam. A partir do momento em que você põe uma declaração de amor de forma aberta é pra mostrar pra todo mundo, aparecer novamente. É exatamente como disso o Rafinha Bastos "Se você se preocupasse com o que eu estou pensando, você não precisa falar pra eles(público) você vinha e falava pra mim. Você não tá preocupado em se desculpar e sim ser aceito".

Eu não entendo, seriamente, essa estética de felicidade. Parece que cai em mim o peso de ter que namorar sério, estudar, ter um carro, uma casa e filhos e se prender a um único relacionamento. Querem que todos sejam iguais, que as casas sejam iguais, que as roupas sejam iguais e que os amores sejam iguais.

Acredito seriamente no amor. Mas não acredito no modelo imposto de amor. A base de um relacionamento deveria ser o sentimento e nunca o impedimento de sair e de conhecer novas pessoas.

É irritante o álbum de fotos que os perfis fazem, com poses exatamente iguais, de biquinhos irritantes na tentativa de serem lindos, sem perceberem o quão ridículo isso é. Ninguém é feliz a todo tempo, isso é utopia e das grandes. Rede social deveria ser uma plataforma de comunicação e não um segundo rosto, uma segunda vida ou uma mentira.

sábado, 26 de maio de 2012

Marvel vs DC

Não posso dizer que sou fã de HQ, na verdade li tão poucas que não quero nem listar. Por isso, minha avaliação se dará através das experiencias pessoais com desenhos animados e filmes, principalmente os recentes. Eu sei que é um assunto polêmico e delicado (risos), mas eu sempre quis colocar a minha posição.

Pra começar é preciso desmistificar a infantilidade e superficialidade diante dos HQ's e dos super-heróis. Como muitos devem saber, as HQ's são consideradas a oitava arte (uma brincadeira com o cinema por ele ser considerada a sétima) e não se limitam a estórias de super-heróis. Na verdade, você pode encontrar todas as categorias de narrativas nesses livros. Além, é claro de fazer parte da cultura pop mundial e influenciá-la, não só ela como também as artes em geral. Sobre os heróis, o que tenho a dizer é, eles não são só caras e moças bonitas que brigam contra o mal, se parar para conhecer melhor sobre o assunto, perceberá a quantidade de metáforas filosóficas, politicas, sentimentais e sociais presentes nas estórias. É uma arte completa!

Nessa disputa das grandes criadoras de personagens heróicos, não tenho dúvidas sobre quem seria o vencedor: DC Comics. Por vários motivos, pra começar: O Batman. Existe super-herói mais foda do que o Batman? Existe filme mais foda que "Batman: O cavalheiro das trevas"? Aquela mistura de fantasia com realidade, com toques filosóficos de existência e do que é certo e errado com cenas de ação fodíssimas, como a do assalto ao banco feito pelo Coringa. Ah, e o Coringa? O que é aquele Coringa?! Um cara louco que não tem pretensão de riqueza e poder (diferente do clichê Loki)* um personagem interpretado pelo magnifico Heath Ledger, que apenas quer ver o caos, um psicopata! Além de ser um longa que entrou pra história do cinema, tá na lista dos 1001 filmes para ver antes de morrer e foi dirigido por um dos grandes diretores hollywoodianos da nova geração, Christopher Nolan. (Outros longas que acho tão bom quanto ele são, o Watchmen, e, um pouco mais inferior a esses dois, V de Vingança, ambos da DC).

O segundo ponto para eu ter a DC como preferida é a animação "Liga da Justiça: Sem limites" exibida pelo SBT no seu programa infantil. Na verdade, esse desenho está bem longe de ser um produto para crianças, devido a sua complexabilidade nas estória e sua metáforas ao nazismo, por exemplo. Comparo a qualidade dele a grandes clássicos da história da animação mundial, não pelo traça e sim pelo roteiro.

O terceiro e último ponto são os personagens. Apesar de não gostar do Superman, ainda prefiro a DC neste quesito. Além de conter o melhor personagem da categoria de todos os tempos, Batman, eles possuem o Flash, não consigo explicar porque gosto dele, apenas gosto. Outra coisa que é importante para mostrar a superioridade da DC é analisar a construção dos personagens. Não que a editora seja hipercriativa e o Marvel não, a questão é que as estórias dos personagens da concorrente são, às vezes, repetitivos e outras vezes infantis e bobos.

É importante lembrar que eu gosto da Marvel, adoro o X-men, os Vingadores e tantos outros personagens, só odeio o Quarteto fantástico, mesmo!

*Sobre a espetada aos Vingadores: É um filme legal e tem boas cenas de ação e efeitos especiais indiscutíveis, mas o clichê da história me incomodou bastante. Um vilão que quer conquistar o mundo, pra mim, só reforça a infantilização da Marvel. E outra coisa, aqueles piadas a todo momento, forçaram um pouco. Não é toa, se você parar para perceber, que a cada piadinha, os personagens ficavam uns 3 segundos calados pra que o público do cinema pudesse rir. Mas, eu seria injusto se falasse que a cena do Deus fraco com o Hulk e o Loki é ruim, foi muito boa.

Não poderia deixar de divulgar a aposta a melhor filme comercial do ano: Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge ou The Dark Knight Rises. Só o trailer mostrar o naipe do negócio!


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Os 3 (2011)



Existe uma linha muito curta entre realidade e ficção. E é aí, onde grandes discussões em volta de documentários se desenrolam. Talvez pelo fato de, muitas vezes, nem nós mesmos sabermos se estamos sendo totalmente verdadeiros ou não, se em frente a uma câmera ou em frente a outras pessoas a gente se comporta da mesma forma e, até mesmo, partindo para uma questão mais rebelde-filosófica de pensamento, se tudo que a gente vive é real ou faz parte apenas de uma matrix.

É esta questão que o filme "Os 3" de Nando Olival, tenta discutir. Trata-se de um longa de 2011, em que três estudantes do interior, resolvem morar juntos em uma espécie de balcão abandonado em São Paulo. A partir de um trabalho de faculdade, um reality show onde todos os produtos que eles usavam no confinamento seriam vendidos, os três se sujeitam a vivenciar o seu próprio projeto. Durante a experiência, os personagens passam a criar histórias e com tempo passam a confundir ficção com realidade.




O filme contém poucos cenários, e o balcão/apartamento é predominante durante os quase 80 minutos de duração. Na primeira parte do longa, existem poucos móveis no espaço, uma mistura de moderno com o antigo e a bagunça. Na segunda parte do filme, os produtos que precisam ser vendidos são acrescentados ao lugar. Com objetos espalhados por todo canto, a composição, faz lembrar muito república de estudantes, com certeza houve uma pesquisa nestes lugares na pré-produção.

As roupas dos personagens trazem certa identificação com o público jovem. As vestes que usam em festas ou em casa faz a gente lembrar nossos amigos ou a nós mesmos, neste universo de faculdade, casa e balada.

Por fim, é um filme interessante, que aborda a questão da liberdade, da realidade e da veracidade dos reality-shows. Com uma direção de arte simples, inteligente e certeira. Apesar de haver um distanciamento do cotidiano do jovem, que encacharia perfeitamente neste longa, mas mesmo assim, uma malhação da vida não chega aos pés desse filme.



domingo, 20 de maio de 2012

Diferentes formas de ouvir

"Diferentes formas de ouvir" vai ser uma série de postagens que pretendo manter por muito tempo. Nelas as coisas vão funcionar da seguinte forma: Indicação de bons discos de diferentes ritmos musicais. Claro que a prioridade serão os músicos nacionais, já que tenho uma certa paixão pela nossa cultura. A formatação se dará de uma pequena crítica seguida de informações do disco, incluindo a arte da capa, e recomendações das melhores musicas.

Tono - Tono (2010)

Tono é um daqueles grupos inventivos, que trazem uma música experimental e muito difícil de se encaixar em algum rótulo musical. Por muitas vezes me lembram os Mutantes e os Novos Baianos, com influências claras sobre essas duas bandas. Numa onda tropical, brega, eletrônico, axé, marchinha de carnaval, pop, alternativo e brasileiro, o segundo cd da banda traz uma sequência de músicas diferenciadas, como o Samba do Blackberry, uma espécie de samba eletrônico e com um refrão grudento comum nesses tipos de música e Aquele Cara é uma música indescritível. Viva a mistureba!

1. Não Consigo
2. Me Sara
3. Sem Falsas Esperanças

4. Corte no Pé
5. So In
6. Aquele Cara
7. Ele Me Le
8. Mariposa
9. Da Terra Pro Sol
10. Distante Demais
11. Samba do Blackberry
12. Nega Música

* Em negrito, as músicas recomendadas

Cd disponibilizado pela própria banda no site oficial
http://www.tono.mus.br/downloads.aspx






Vanguart - Boa parte de mim vai embora (2011)
Vanguart sempre foi uma das minhas bandas favoritas. Desde o sucesso de semáforo, viciei neste som folk, indie, rock da banda cuiabana. Se o primeiro cd era sensacional, o segundo, Boa parte de mim vai embora, arrebenta! Eles não mudaram muito desde o primeiro disco, mas o segundo trouxe uma maturidade interessante ao som consolidado. Eles se reinventaram, mas manteram a essência, sabe?
Todas as faixas são em português, diferente do primeiro em que a maioria era em inglês, uma em espanhol e poucas no nosso idioma. O que é interessante, afinal aproxima a banda do público brasileiro. Neste trabalho, o grupo torna-se mais comercial, isso não significa uma queda de qualidade, pelo contrário. Por fim, é recomendado ouvir todo albúm, mas claro que existem as melhores. Viva a boêmia!


1. Mi Vida Eres Tu
2. Se tiver que ser na bala, vai
3. Desmentindo a despedida

4. Nessa cidade
5. Engole (Arde Mais que Brasa em Pele Quente)
6. A patinha da garça
7. Eu vou lá
8. Onde você parou
9.  ... Das Lágrimas
10. Amigo
11. Morrerão
12. O que a Gente podia fazer
13. Depressa 

* Em negrito, as músicas recomendadas





domingo, 15 de abril de 2012

Sobre a abominável falta de fé

Tenho lido muito esses tempos e também vi algumas coisas. Um mundo, nunca antes visto. Orações não são mais importantes, não existe nem um céu e pior, um inferno. Nada em cima, nada abaixo. Apenas, eu. Aqui. Agora. Na busca da utópica felicidade. Na busca de um mundo de amor. Não preciso de um Deus pra gostar das pessoas. Não preciso de um Deus pra ser uma pessoa boa. Não tenho medo de inferno, não quero uma recompensa depois da morte. Quero o que eu mereço. Um descanso. Um fim! Toda as histórias do mundo tem um fim. E por que a minha seria diferente?

Meu medo egoísta e meu medo fraternal foram embora. Como uma coisa que eu amo tanto pode ser condenado a um lugar de fogo e violência? Não existe amor em algo que você não conhece, não existe amor em algo que você nunca viu. Mas existe um amor. Aquele que eu sinto pelos que me deram a vida ou os que me dão vida. Eu sou apenas um aprendiz do imagine. Não sou pecador, sou humano, que erra, tenta consertar e se fode.

De agora em diante, vou deixar de falar sozinho, vou fazer alguma coisa, ou ter a certeza de que não fiz nada. E se me perguntarem se tenho medo da morte: Vou dizer que não a quero, mas não a temo. Sou de carne, osso, outras coisas nojentas e pensamento, sentimentos, músicas, filmes, livros, pessoas, caras e situações.

Os julgamentos são os piores. Que eu sou uma pessoa ruim, que eu não conheço, que eu nunca li. Haa... queridos... Eu já li tanto!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

As Crônicas de Gelo e Fogo - A Guerra dos Tronos

Cresci lendo Harry Potter. Sou mais um daqueles caras clichês que acompanharam o crescimento do personagem, da história e dos atores. Lia compulsivamente os livros e assistia, eloquentemente, os filmes. Realmente marcou a minha vida. E eis que quando a história acabou, me deparo com uma série da HBO, Guerra dos Tronos. O canal televisivo foi o que me motivou a ver o folhetim, afinal, a HBO é a responsável por várias das melhores séries dos últimos anos (Ex: The Pacific e True Blood).

Assisti. Que seriado foda! Resolvo então lê-lo. Confesso que deu um certo medo acompanhar o primeiro livro das Crônicas de Gelo e Fogo, eram mais de 550 páginas e o menor dos outros 6 que ainda preciso ler. 

Guerra dos Tronos, o primeiro da série, é um livro sensacional. A obra gira em torno de Eddard Stark, Senhor de Winterfell, quando é convidado pelo rei a ser sua mão, maior cargo da hierarquia depois dele. Resolvido a não aceitar, Stark é contrariado ao descobrir sobre a suspeitosa morte da antiga mão, que o fez seguir o rei para corte real. 

George R. R. Martin trouxe uma história complexa, bem elaborada e criativa. Com muitos personagens, que as vezes nos confundem. Mas, em momento algum, se torna chato. E mesmo tendo visto a série, anteriormente, a emoção não foi afetada. Aconselho, qualquer um, a ler também. É uma outra sensação. Cinema (TV) e literatura são plataformas distintas e adoráveis.

As Crônicas de Gelo e Fogo é uma série de fantasia. Mas, segue uma tendência do realismo fantástico moderno: a humanização dos personagens. Assim como os quadrinhos, A guerra dos Tronos, traz figuras anti-heroicas, ou seja, nenhum personagem é completamente bom ou ruim. O maniqueísmo, comum nas histórias infantis, é deixado de lado. 

Guerra, violência, sexo, disputas por poder e traição tem deixado cada vez mais distante a cultura Geek do universo infantil. Batman de Nolan é, por exemplo, um produto pra adultos, diferente do Batman de Burton, assim como Senhor dos Anéis para As Crônicas de Gelo e Fogo. (Mas isso é outra postagem...). 

Cheia de pontos de virada incríveis, que faz qualquer um se envolver em uma relação de amor e ódio com a história e sempre nos contrariando, As Crônicas de Gelo e Fogo - A Guerra dos Tronos é um dos melhores livros de fantasia de todos os tempos, ou o melhor de todos (incluindo melhor que o Senhor dos Anéis).