Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 28 de julho de 2015

O dia da saudade do maluco beleza





Tenho uma relação íntima com Raulzito. Além de compartilhamos o mesmo nome, que por acaso tem influência direta do roqueiro baiano, convivi, durante toda a minha infância, com quadros do seu rosto pela casa e com a sua discografia no som do salão de meu pai. Durante um bom tempo o deixei de lado e recentemente voltei a ouví-lo. Tornei suas letras uma espécie de terapia. Todas as vezes que me sentia triste, com raiva ou ansioso, existia alguma música que me compreendia, que me abraçava e que me bagunçava. Raul Seixas faria 70 anos neste domingo.
Entender o baiano é impossível. Qual era a dele? Rock ou Baião? Esquerda ou direita? Satanista, ocultista ou cristão? Minha vó dizia que o adorava. Segundo ela, Gita é sobre Deus. Porém, eu não sei. Raul era extremamente subjetivo. Acho que todo mundo se identifica com suas letras, por mais que os pensamentos sejam distintos. Talvez o maior compositor brasileiro, talvez um grande merda também.
Mosca na Sopa, a primeira música do “Krig-Ha Bandolo”, disco de estreia, apresenta o que Raul Seixas seria como artista. Ele não veio simplesmente pra te abraçar, ele veio pra incomodar, te balançar, fazer refletir e novamente te abraçar. A música seguinte, “Metamorfose Ambulante”, parece introduzir o ouvinte dentro da sua cabeça. Para muitos, este disco é o melhor da sua carreira. A revista Rolling Stones o considera um dos melhores discos brasileiros de todos os tempos. Indiscutivelmente (ou não), os seus primeiros CDs são os melhores, porém, particularmente, meu disco favorito é “Há dez mil anos atrás”. Isso não significa desmerecer “Cachorro-Urubu”, “A Hora do Trem Passar”, “As Minas do Rei Salomão” e “Ouro de Tolo”, pelo contrário.
Devagar
Veja quanto livro na estante
Dom Quixote, o cavaleiro andante
Luta a vida inteira contra o rei
Joga as cartas, leia minha sorte
Tanto faz a vida como a morte
O pior de tudo eu já passei
Do passado eu me esqueci
No presente eu me perdi
Se chamarem, diga que eu saí
Do passado eu me esqueci
No presente eu me perdi
Se chamarem, diga que eu saí
Se chamarem, diga que eu saí

E quantas vezes pedi pro moço do disco voador me levar? Aquela sensação de não pertencimento a um lugar, nas palavras de Raul, enquanto tinha tanta estrela por aí? TalvezGita seja o disco mais ideológico do artista. “Medo da Chuva” desconstrói e discute a ideia de amor romântico, do casamento normativo e do tradicional estilo de vida da maioria dos cristãos. Enfrentar as verdades da voz de Raul dói, mas nos tira do lugar comum, eleva o espírito, por mais que tudo, talvez, seja muito ateu. Marcar “Sociedade Alternativa” no meio de Gita o torna político e grandioso. Era a construção de uma tese a ser defendida.
O “Novo Aeon” nos trás o lado religioso, mas começa invocando o demônio em “Rock do Diabo” e tirando uma onda de Deus em “Para Nóia”. Ele nos trás também o lado anticapitalista do baiano, que aparece em “Ouro de Tolo” e retorna em “É Fim de Mês”. Mas também nega-se a qualquer ideologia, apesar de ser extremamente ideológico, numa contradição entre “A Maçã” e “Eu Sou Egoísta”. Enquanto o disco “O Dia em que a Terra Parou”, reafirma que tudo não passa de uma viagem da cabeça do Maluco Beleza e que também o confirma como profeta do apocalipse.
Eu calço é 37
Meu pai me dá 36
Dói, mas no dia seguinte
Aperto meu pé outra vez
Eu aperto meu pé outra vez
Pai eu já tô crescidinho
Pague pra ver, que eu aposto
Vou escolher meu sapato
E andar do jeito que eu gosto
E andar do jeito que eu gosto

Como já afirmei, o meu disco favorito é “Há 10 mil anos atrás”. Essa produção é a maior união estética, espiritual e ideológica da música brasileira. Lembrando que estamos falando da década de 70, um dos períodos mais conturbados da ditadura civil militar brasileira. O mais incrível é que a censura da época não segurou esse disco. As letras de Raul são tão elevadas que “Meu Amigo Pedro”, “Eu também vou reclamar” e “Quando você crescer” não foram barrados pela censura da ditadura que se preocupava mais com o viés moral do que político.
Além desses discos não deveríamos esquecer de “Por quem os sinos dobram”, que reúne as músicas “A Ilha da Fantasia”, “O Segredo do Universo” e “Requiem para uma flor”. Outras duas produções relevantes da sua carreira são “Abre-te Sésamo” e “Mata-Virgem”, onde sua faixa título é uma das mais belas canções de amor do artista.
Se o Brasil já teve algum Rock Star na sua história, esse nome é Raul Seixas. Ele representa muito bem a mistura de elementos que compõe a cultura brasileira. Para qualquer amante que respeite a nossa música, desmerecer Raul é desmerecer toda essa construção histórica. Raul é o pastor, o militante, o místico e o libertário da música brasileira.
Lembro Pedro aqueles velhos dias
Quando os dois pensavam sobre o mundo
Hoje eu te chamo de careta
E você me chama vagabundo
Pedro onde você vai eu também vou
Mas, tudo acaba onde começou
Todos os caminhos são iguais
O que leva à glória ou a perdição
Há tantos caminhos, tantas portas
Mas, somente um tem coração
E eu não tenho nada a te dizer
Mas, não me critique como eu sou
Cada um de nós é um universo, Pedro
Onde você vai eu também vou

quinta-feira, 3 de abril de 2014

As novas relações econômicas e sociais entre consumidores e produtores no mercado artístico

Artigo apresentado em 2014 para a matéria "Tecnologia e linguagem dos meios de comunicação" do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Raul Marx Rabelo Araujo
Estudante de Comunicação social da UFS

Resumo

O mercado fonográfico encontra-se em uma grande enrascada. Com a acensão da internet e o seu modelo de compartilhamento incessante, os grandes selos e gravadoras viram as suas economias em crise. De um modo geral, o surgimento dos torrents e sites de hospedagem aumentaram a circulação de conteúdo artístico, mas em compensação freou violentamente a economia fonográfica. Por outro lado, o cinema, com forte poder de reinventar-se, devido ao seu modelo de consumo, não enfrentou tantos problemas. Entretanto, com o crescente aumento dos mais diversos tipos de tela, essa situação começa a incomodar.

O Presente artigo tenta relacionar os debates apresentados na obra “A Tela global” de Gilles Lipovetsky com a postura inovadora de Amanda Palmer dentro do mercado fonográfico. Apesar de os dois assuntos tratarem de nichos diferentes, cinema e música, pretendemos problematizar a relação entre consumidor e produtor de arte à partir das inovações tecnológicas, não só pelas vias econômicas, mas também pelas relações sociais.

Introdução – Um novo modelo de consumo

A tecnologia dos anos 1980 cola-se à pele, responde ao toque: o computador pessoal, o walkman, o telefone portátil, as lentes de contato. Alguns temas centrais emergem repetidamente no ciberpunk. O tema ainda mais poderoso da invasão da mente: interfaces cérebro-computador, inteligência artificial, neuroquímica – técnicas que radicalmente redefinem a natureza da humanidade, a natureza do eu... (SANTAELLA, 2007, p. 128, apud DYENS, 2001, p. 73)


A citação acima refere-se aos anos 80, mas ela cabe perfeitamente ao que viria acontecer nos anos posteriores. Vivemos o pós-humanismo, ou seja, vivemos cada dia mais numa difusão entre homem e máquina. Mas diferente das previsões oitentistas em filmes como Blade Runner, a tecnologia não está desmembrada do ser humano. Não existem ao nosso redor robôs andantes e falantes que nos servem, na verdade, a nossa relação parece ser mais carnal, conectada. A tecnologia hoje interfere nas relações humanas como suporte. As telas espalhadas pelo mundo com seus aplicativos e a internet oferecem um modelo de troca de informações e comunicação bem mais simplificados.

Nossas relações sociais, profissionais e financeiras quase nos obriga a entrar nessa lógica de intermediação tecnológica. Essa interferência, se bem utilizada, facilita a vida do ser humano, além de lhe trazer mais conhecimento e entretenimento. Nesse espaço novas alternativas de consumo audiovisual se ampliaram, vemos TV e ouvimos rádio de maneira diferente, nos comunicamos com mais facilidade em meio as redes sociais e até coisas banais, como chamar um táxi e identificar uma música legal se tornaram simplificadas. Todo esse movimento pode ser caracterizado como cibercultura. Entende-se esse termo como “a relações entre as tecnologias informacionais de comunicação e informação e a cultura, emergentes a partir da convergência informática/telecomunicações na década de 1970” (Lemos, 2002).

Ainda segundo André Lemos, a cibercultura tem como principal orientador a “re-mixagem”, que seria mais ou menos o costume de reaproveitamento e edição de conteúdo e informações dentro das tecnologias digitais. Esse principio tem como características básicas: “a liberação do pólo da emissão, o princípio de conexão em rede e a reconfiguração de formatos midiáticos e práticas sociais”, ou seja, o antigo consumidor torna-se também produtor, cria e adapta o que já existe; se expandem as conexões entre os usuários com acensão dos dispositivos móveis e a expansão do acesso a internet e, por último, a restruturação da industria que destrói o monopólio burgues.

A cibercultura reconfigurou não só a industria cultural, como também revolucionou as relações pessoais e a experiencia humana. Alterou as formas de produção e circulação material, de conteúdo e de serviços, assim também como modificou a troca de informações e a comunicação. Dentre dessa revolução, as mídias hegemônicas e a industria cultural, viram o seu monopólio ruir. As novas mídias apresentam um formato igualitário e democrático e fazem com que a industria acabe ganhando novas molduras. Dentro desse novo momento surgem novos conflitos, não só para a industria como também para artistas e produtores.

As soluções de Amanda Palmer


Amanda Palmer não foi a criadora de um sistema que se adaptou as novas tecnologias. As plataformas que ela usou para arrecadar dinheiro dos fãs para uma produção independente, já existiam. Na verdade, a cantora é um exemplo de uma restruturação da industria da arte a partir do próprio artista. Nesse novo modelo as grandes industrias perdem o controle para os produtores, o que resulta uma maior liberdade para o mesmo.

No caso de Amanda Palmer, cantora da banda The Dresden Dolls, a plataforma usada por ela foi um site de crowdfunding, financiamento coletivo. Esses espaços funcionam de forma inversa ao modelo consolidado anteriormente. Os consumidores, fãs e amigos, pagam antecipadamente pelo produto a quantia que achar necessária, para só depois, afinal a realização ainda vai acontecer, receber o produto. Na arrecadação que Palmer fez junto aos fãs, sua pretensão era de 100 mil, mas acabou conseguindo mais de US$ 1 milhão, ou seja, transformou-se em um ícone desse modelo de negócio.

Para a cantora esse novo modelo de gestão de negócio é libertário: “Eu quero fazer música e quero ter o controle. Geralmente, perde-se o controle quando se assina com grandes gravadoras, e acaba não valendo a pena, mesmo que a grana seja maior. Eu tenho uma boa ideia de quem são os meus fãs, o tipo de música que eu quero fazer, como eu quero que o conjunto fique” (PALMER, 2013).

Uma revolução na industria da arte

O 'verdadeiro' cinema não se acha atrás de nós: ele não cessa de se reinventar. Mesmo confrontando a novos desafios de produção, de difusão e de consumo, o cinema continua sendo uma arte de um poderoso dinamismo, cuja criatividade não está de modo algum em declínio. O tudo-tela não é o túmulo do cinema: mais do que nunca este demonstra inventividade, diversidade, vitalidade (LIPOVETSKY; SERROY, 2009, p 14).


Assim como a industria fonográfica, o cinema também enfrenta um dilema. Com a expansão das telas, principal suporte para as tecnologias atuais, o audiovisual estará em todos os lugares, mas em descompensação pode por em risco o formato atual da industria cinematográfica. Mas, diferente da música, o cinema consegue se adaptar e resistir, entretanto os meios de transmissão de conteúdo audiovisual não param de surgir e por isso esse cenário deve se transformar.

A primeira grande concorrência tecnológica que gerou medo na industria cinematográfica foi o surgimento da televisão. Muitos acreditavam que as pessoas deixariam de assistir filmes em salas de cinema, para assistir no conforto das suas salas. Acabou que a televisão construiu uma linguagem, metodologia e sistema financeiro próprio, diferenciando da sétima arte. Hoje em dia, o próprio modelo clássico de ver TV está mais ameaçado que as exibições de filmes em salas de cinema. Houve uma reconfiguração, as salas acabaram se transportadas para dentro dos shoppings e os investimentos de filmes dedicados a várias “janelas”, ganharam um maior financiamento.

A questão agora é que o problema (ou solução) é bem mais complexo. Vivemos à época da tela global:

Tela em todo lugar e a todo momento, nas lojas e nos aeroportos, nos restaurantes e bares, no metrô, nos carros e nos aviões; tela de todas as dimensões, tela plana, tela cheia e minitela portátil; tela sobre nós, tela que carregamos conosco; tela para ver e fazer tudo. Tela de vídeo, tela em miniatura, tela gráfica, tela nômade, tela tátil, o século que começa é o da tela onipresente e multifome, planetária e multimidiática (LIPOVETSKY; SERROY, 2009, p 14).

Todas essas definições de telas aglomeram dentro delas plataformas que, a cada vez mais, fazem ligações de uma mídia com outra, num processo chamado transmídia. Tv e rádio hoje já são transmitidas online, o serviço do Netflix, por exemplo, oferece um modo revolucionário de ver televisão: o que quiser, quando quiser em qualquer lugar. A televisão perde cada vez mais audiência, mas algumas séries batem recordes de downloads, os investimentos para as produções televisivas se equilibram com os grandes filmes hollywoodianas, o que parece acontecer é que as produções seguem o mesmo caminho feito pelas mídias, tudo conectando-se.
Produções baratas lotam sessões, produções caras enchem programações de canais de assinatura, filmes estreiam direto na TV, exibições simultâneas de episódios de séries em todos os países que o canal tem retransmissoras, rádio em aparelhos televisivos, Tv em dispositivos móveis. Os limites entre TV, rádio, cinema e internet parecem cada vez mais desaparecer e é dentro dessa lógica que o capitalismo parece desestruturar-se. Mas o que é mais interessante é que o monopólio da produção cultural foi quebrado, as tentativas de resistência fora desse novo modelo social ao qual se organiza as relações sociais, frustraram.

Dentro desses dois panoramas, com o audiovisual expandindo suas plataformas de exibição e ao mesmo tempo transformando essas mesma plataformas em uma única coisa, onde o que diferencia as produções é o caráter técnico, e a música arranja novas formas de financiamento, bandas recorrem a financiamentos coletivos, disponibilizam grátis o disco na internet ao mesmo tempo que aumenta o preço e o número de shows . O que fica claro é que o mercado se reconfigurou, a crise existe para quem não se adequou as novas tecnologias.

Conclusão

Como fica claro na introdução deste artigo, a internet revolucionou as relações sociais e constantemente transforma a industria cultural. Ela tem um caráter bastante democrático e anárquico. As informações cada vez mais sai das mãos dos detentores de capital, isso é um grande avanço para humanidade. Mas o futuro apresenta grandes conflitos. Dentro do sistema em que vivemos, a arte precisa sustentar-se, os produtores precisam de dinheiro para produzir mais. Entretanto, ao mesmo tempo, esse democratização da “arte em todo lugar” não pode morrer, nem deve, pela dimensão que a internet tem.

Na verdade, as tecnologias a partir das interferências sociais, modificaram toda a estrutura de sociedade. O capitalismo, como conhecemos, até então, está morrendo. A democracia no consumo da arte vem de um viés de esquerda e ameaça o “livre mercado”, mas fomenta a liberdade individual. O grande risco, que é comum dentro desse sistema, é que ele queira apoderar-se dessas liberdades. Uma visão otimista da manutenção desse mercado é o exemplo de Amanda Palmer, mas existem ações da antiga mídia hegemônica e agora destruída tentando retornar a sua dominação. Mas o interessante é que além das alternativas criadas pela tecnologia, ela própria em seu sistema dificulta essas atitudes.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O Funk é o novo Punk?

Não sei se isso é juventude ou é eterno. Essa inquietação, transformação e medo. Por vezes quero que termine, por outras que nunca acabe. Em boa parte da minha vida poucas coisas entendi, em outras sou leigo e de tantas prefiro o erro e, em consequência, a mudança. Porque ela é sempre bem vinda! Hoje, na minha verdade, a coisa ainda permanece preta, Chico! O Sistema continua falido, mas o prisma sempre bate em alguém e esse alguém se expande. A formação ainda está em pé e contracultura ainda vive por mais que tenha mudado de posição.

O consumo dita o valor de cada individuo (Não é verdade absoluta é senso comum). A propaganda espalha aos quatro ventos os modelos de homem, mulher, criança, adolescente e idoso perfeito. Modelo atrelado a um bem de consumo, consumindo coisas que não precisamos e sacrificamos a vida para tê-las. As pessoas se padronizam e isso é o capital. E os grupos do século XX que bateram de frente com todo o sistema se reconfiguraram. A esquerda se reorganizam junto com os neo anarquistas, punks e hippies. O que permanece é um outro modelo de vida, alternativo ao imposto.

Mas há também quem mudou, não pelos antigos, mas pelo novo. Os velhos deram seus importantes passos, o que precisava era de mais pessoas para alongá-los, mesmo que contrariando os que começaram, mas eles acabaram recuando. Será que o recuo é algo natural do ser humano? O rock acabou?

O que faz aquilo que sempre foi sinônimo de progresso ocupar o lugar que antes lhe reprimia? Se o rock chocava pelas suas roupas, pela sua linguagem corporal, comportamento e pelo som; se lutou pela liberdade sexual, individual e coletiva, o que faz uma geração querer ser elite (intelectual ou financeira), pregar a boa música, julgar pela "moral" e os bons "costumes"? Seria uma inversão dos papéis? Seria conservador ou progressista pedi que esse caráter permaneça intacto? O Funk é o novo punk? Mas a ostentação não é contrário do punk? Deixa pra lá, eu devo tá viajando. Enquanto eu falo besteira, nego vai se matando!



Comentário de autor desconhecido no facebook, nada de citação com credibilidade:
Quando um grupo de pessoas não trata o sexo como tabu, além de ter orgulho do próprio corpo e se divertir com ele, aparece a classe média para chamar esse grupo de vulgar. Para a maior parte da classe média, "vulgar" é tudo aquilo que seja: ou cultura popular e afrobrasileira ou comportamento sexualmente livre, porém exacerbado, sobretudo se relativo à sexualidade feminina... É essa classe média que tenta impor sua visão moralista, historicamente baseada no cristianismo e assimilada mesmo entre os não-cristãos dessa classe, sobre sexo e sobre sexualidade... Não percebem que apenas estão fazendo tudo o que o capitalismo sempre quis: tirar a liberdade das pessoas (sobretudo mulheres) sobre o próprio corpo. Por mim, as adolescentes que se divirtam!

domingo, 20 de maio de 2012

Diferentes formas de ouvir

"Diferentes formas de ouvir" vai ser uma série de postagens que pretendo manter por muito tempo. Nelas as coisas vão funcionar da seguinte forma: Indicação de bons discos de diferentes ritmos musicais. Claro que a prioridade serão os músicos nacionais, já que tenho uma certa paixão pela nossa cultura. A formatação se dará de uma pequena crítica seguida de informações do disco, incluindo a arte da capa, e recomendações das melhores musicas.

Tono - Tono (2010)

Tono é um daqueles grupos inventivos, que trazem uma música experimental e muito difícil de se encaixar em algum rótulo musical. Por muitas vezes me lembram os Mutantes e os Novos Baianos, com influências claras sobre essas duas bandas. Numa onda tropical, brega, eletrônico, axé, marchinha de carnaval, pop, alternativo e brasileiro, o segundo cd da banda traz uma sequência de músicas diferenciadas, como o Samba do Blackberry, uma espécie de samba eletrônico e com um refrão grudento comum nesses tipos de música e Aquele Cara é uma música indescritível. Viva a mistureba!

1. Não Consigo
2. Me Sara
3. Sem Falsas Esperanças

4. Corte no Pé
5. So In
6. Aquele Cara
7. Ele Me Le
8. Mariposa
9. Da Terra Pro Sol
10. Distante Demais
11. Samba do Blackberry
12. Nega Música

* Em negrito, as músicas recomendadas

Cd disponibilizado pela própria banda no site oficial
http://www.tono.mus.br/downloads.aspx






Vanguart - Boa parte de mim vai embora (2011)
Vanguart sempre foi uma das minhas bandas favoritas. Desde o sucesso de semáforo, viciei neste som folk, indie, rock da banda cuiabana. Se o primeiro cd era sensacional, o segundo, Boa parte de mim vai embora, arrebenta! Eles não mudaram muito desde o primeiro disco, mas o segundo trouxe uma maturidade interessante ao som consolidado. Eles se reinventaram, mas manteram a essência, sabe?
Todas as faixas são em português, diferente do primeiro em que a maioria era em inglês, uma em espanhol e poucas no nosso idioma. O que é interessante, afinal aproxima a banda do público brasileiro. Neste trabalho, o grupo torna-se mais comercial, isso não significa uma queda de qualidade, pelo contrário. Por fim, é recomendado ouvir todo albúm, mas claro que existem as melhores. Viva a boêmia!


1. Mi Vida Eres Tu
2. Se tiver que ser na bala, vai
3. Desmentindo a despedida

4. Nessa cidade
5. Engole (Arde Mais que Brasa em Pele Quente)
6. A patinha da garça
7. Eu vou lá
8. Onde você parou
9.  ... Das Lágrimas
10. Amigo
11. Morrerão
12. O que a Gente podia fazer
13. Depressa 

* Em negrito, as músicas recomendadas





domingo, 1 de abril de 2012

Cálice, Criolo e Chico!

Estamos em uma fase de muita qualidade na música brasileira. Uma relação de bons nomes surgiram na mídia no ano de 2011 e começo 2012. Acho que não temos um cenário tão bacana assim desde o inicio da ditadura militar com Chico, Caetano e a Tropicália e os anos de 80 e 90 com as bandas de rock mais sensacionais que já se ouviram falar.

É sério, essa nova leva de músicos deixa qualquer um orgulhoso. A "New MPB Hipster brasileira", como costumo chamar, é incrível. Nomes como Marcelo Camelo, Mallu Magalhães, Cícero, Karina Buh, Tulipa Ruiz e tantos outros, trouxeram, com influências da MPB, do brega, da Bossa Nova e do Rock, trabalhos excelentes!

No Rap, chegaram os grandes Criolo, no qual essa postagem irá se dedicar, Emicida, e o, ainda pouco conhecido, Projota. Até o Tecnobrega tem trabalhos interessantes da Banda UÓ e da Beyonce do Pará, Gaby Amarantos. Com pegadas na cultura popular e de raiz, misturado com o brega moderna e a batida eletrônica. Sem falar das bandas de rock do cenário alternativo (teria que ser outro post dedicado só a isso).

Mas como eu estava dizendo, essa postagem eu quero empenhar na versão do Criolo da música "Cálice" de Chico Buarque, outro com um ótimo disco lançado em 2011.

Em um dia comum, Criolo improvisou uma versão da música, atualizou a letra a realidade contemporânea, com as péssimas situações da PM, da imprensa manipuladora, da pobreza e da "ditadura" que ainda nos cerca com a sua Censura. Pediu prum amigo gravar e postou no Youtube:


 


E eis que Chico, que agora tá ligado com a "interneta", vê o vídeo e:


  


E tem também Criolo com Caetano no VMB de 2011, com a música "Não existe amor em SP".

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A Glória do Maglore

Conheci Maglore por acaso, via curiosidade mesmo! Vamos aos fatos: Estava em uma busca no Google pela banda Los Hermanos, que falarei em uma postagem futura, e vi que eles mantinham um perfil no Myspace totalmente desatualizado e sem músicas (hoje eu não sei como a página está), a unica parte do perfil que estava atualizado eram os recados dos fãs e de outras bandas. Como tenho uma mania de olhar esses recados de baixo para cima, fui ler a última mensagem, que justamente era o da banda Maglore, então abri o perfil.

Lembro que a primeira música que escutei foi "Demodê", o que me lembrou muito o som do Los Hermanos e a voz de Marcelo Camelo, vocalista da mesma. Escutar aquela música e Logo após curtir "Às vezes um clichê" foi o bastante pra me convencer a ser fã da banda. Escutei as demais músicas e logo descobri "Pai mundo", "A sete chaves", "Lápis de Carvão" e outras.

Maglore é uma banda Bahiana que tive orgulho de ver um show em Aracaju. Mesmo em uma lugar não tão interessante, os caras fizeram um espetáculo e ainda tocaram Raul Seixas (S.O.S.) e Belchior (Medo de avião, eu acho!). Lembro muito bem a abertura do show, na qual um locutor anunciou a banda com os seguintes dizeres: 

"Formada em 2009, a Maglore, cujo nome pode ser um trocadilho abstraído de “Minha glória”, do inglês “My glory” (e também um nome de tribo africana) propõe a sinestesia musical entre cores e som, trazendo elementos musicais de lugares diversos do mundo, como a mesclagem do folk e do rock britânico com harmonias latinas e letras nostálgicas, em referência aos melódicos cantores de rua, cariocas dos anos 30. O que se vê é um Rock Tropical, um som em cores. A banda lançou no fim de agosto de 2009 seu primeiro EP, produzido pelo polivalente Jorge Solovera".

Ao fim do pronunciamento, o vacalista da banda disse mais ou menos assim: "Tudo que foi dito aí é besteira, a gente só veio aqui fazer rock and roll".

Clipes:

  




Galeria:




Conexões: 

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Faixa Tube - O novo projeto do NX Zero

Misturar ritmos é uma boa! Ainda mais quando se misturam ritmos como o Hip Hop e o Rock, bandas já fazem isso há algum tempo e dão muito certo, como é o caso do Linkin Park, Gorillas e Gym Class Heroes. Quem resolveu apostar nisso desta vez é a banda brasileira Nx zero. Desde o início da carreira a banda vem evoluindo e desta vez resolveram fazer releituras de seus sucessos e convidaram um time de peso do rap como: Marcelo D2, Emicida, Kamau, Gabriel O Pensador, Rappin Hood e Túlio Dek, também fazem parte do projeto o cantor Chorão e a banda Glória, além de outros artistas.

Esperamos que projeto renda muito sucesso a banda e aos seus convidados, que já tem uma imagem positiva depois do lançamento do primeiro clipe "Só rezo 0.2" com a participação do Emicida.


Outra mistura que também ficou legal foi a parceira entre o internacionalmente conhecido Jorge Ben Jor e rapper Mano Brown, que apesar de as vezes incomodar com sua voz, manda muito bem no rap:


O que você achou das músicas?

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A arte do Vanguart

Não tenho um estilo musical. Sou aberto a diversos tipos de manifestação cultural. Já me disseram que pessoas assim não tem personalidade. Eu discordo! Sempre nos falaram que a gente precisava ser de um grupo, ser um rótulo, mas nunca nos perguntaram se a gente realmente quer ser rotulado. Eu não quero! Não me chame de nada, apenas me chame de Raul, ele ou qualquer pronome que me indique.

Por viajar por diversos tipos musicais, tenho a oportunidade de ouvir coisas únicas, como o Vanguart. Normalmente as músicas dessa banda eu uso pra pensar, pra cantar, durmir, pois é um som reflexivo, cantante e ótimo pra durmir. (Não espere agitação, procure a Lady Gaga nesse caso).

O estilo musical é uma mistura do folk e do rock, com pitadas de música indie. Vinda do Cuiabá e formada em 2002, a banda depontou nos festivais de música independente do Brasil em 2005 e lançou o sucesso "Semáforo" em 2006., onde seu trabalho foi mostrado ao Brasil.

Depois daí foi só sucesso. Premiações, como o VMB, e participações em programas de TV.

Clipes





Fotos

sábado, 4 de setembro de 2010

Os indicados ao VMA


O VMA, que tem como versão brasileira o VMB, acontece no dia 12 de setembro às 22 horas .A premiação contará com 15 categorias, sendo elas: melhor colaboração, clipe feminino, clipe masculino, clipe de hip-hop, clipe pop, clipe de rock, clipe dance, clipe do ano, direção de arte, coreografia, melhor cinematografia, direção, edição, efeitos especiais e descoberta do ano.

A Festa terá trasmissão da MTV Brasil. Veja os indicados:

BEST COLLABORATION
B.o.B featuring Hayley Williams - "Airplanes"
Beyoncé featuring Lady Gaga - "Video Phone (Extended Remix)"
Lady Gaga featuring Beyoncé - "Telephone"
3OH!3 featuring Kesha - "My First Kiss"
Jay-Z & Alicia Keys - "Empire State of Mind"

BEST FEMALE VIDEO
Lady Gaga - "Bad Romance"
Ke$ha - "Tik Tok"
Katy Perry featuring Snoop Dogg - "California Gurls"
Beyoncé featuring Lady Gaga - "Video Phone (Extended Remix)"
Taylor Swift - "Fifteen"

BEST MALE VIDEO
Eminem - "Not Afraid"
Usher featuring Will.I.Am - "OMG"
B.o.B featuring Hayley Williams - "Airplanes"
Drake - "Find Your Love"
Jason Derulo - "In My Head"

BEST HIP HOP VIDEO

B.o.B. featuring Hayley Williams - "Airplanes"
Eminem - "Not Afraid"
Drake, Kanye West, Lil Wayne & Eminem - "Forever"
Jay-Z & Swizz Beats - "On To The Next One"
Kid Cudi featuring MGMT & Ratatat - "Pursuit Of Happiness"

BEST NEW ARTIST
Ke$ha - "Tik Tok"
Jason Derulo - "In My Head"
Justin Bieber featuring Ludacris - "Baby"
Nicki Minaj featuring Sean Garrett - "Massive Attack"
Broken Bells - "The Ghost Inside"

BEST POP VIDEO
Lady Gaga - "Bad Romance"
Katy Perry featuring Snoop Dog - "California Gurls"
Ke$ha - "Tik Tok"
Beyoncé featuring Lady Gaga - "Video Phone (Extended Remix)"
B.o.B featuring Bruno Mars - "Nothing on You"

BEST ROCK VIDEO
30 Seconds To Mars - "Kings and Queens"
Muse - "Uprising"
Paramore - "Ignorance"
Florence + the Machine - "Dog Days Are Over"
MGMT - "Flash Delirium"

BEST DANCE MUSIC VIDEO
Lady Gaga - "Bad Romance"
Enrique Iglesias featuring Pitbull - "I Like It"
Cascada - "Evacuate The Dancefloor"
David Guetta featuring Akon - "Sexy Chick"
Usher featuring Will.I.Am - "OMG"

VIDEO OF THE YEAR
Lady Gaga - "Bad Romance"
Florence + The Machine - "Dog Days Are Over"
30 Seconds To Mars - "Kings and Queens"
Lady Gaga featuring Beyoncé - "Telephone"
Eminem - "Not Afraid"
B.o.B featuring Hayley Williams - "Airplanes"

BEST ART DIRECTION
Lady Gaga - "Bad Romance"
Florence + The Machine - "Dogs Days Are Over"
Eminem - "Not Afraid"
30 Seconds To Mars - "Kings and Queens"
Beyoncé featuring Lady Gaga - "Video Phone (Extended Remix)"

BEST CHOREOGRAPHY
Lady Gaga - "Bad Romance"
Lady Gaga featuring Beyoncé - "Telephone"Beyoncé featuring Lady Gaga
Beyoncé featuring Lady Gaga - "Video Phone (Extended Remix)"
Usher featuring Will.I.Am - "OMG"
Janelle Monáe featuring Big Boi - "Tightrope"

BEST CINEMATOGRAPHY
Eminem - "Not Afraid"
Jay-Z & Alicia Keys - "Empire State of Mind"
Lady Gaga - "Bad Romance"
Mumford and Sons - "Little Lion Man"
Florence + The Machine - "Dog Days Are Over"

BEST DIRECTION
Jay-Z & Alicia Keys - "Empire State of Mind"
Lady Gaga - "Bad Romance"
Eminem - "Not Afraid"
P!nk - "Funhouse"
30 Seconds To Mars - "Kings and Queens"

BEST EDITING
Lady Gaga - "Bad Romance"
Eminem - "Not Afraid"
Rihanna - "Rude Boy"
P!nk - "Funhouse"
Miike Snow - "Animal"

BEST SFX (SPECIAL EFFECTS)
Lady Gaga - "Bad Romance"
Eminem - "Not Afraid"
Muse - "Uprising"
Green Day - "21st Century Breakdown"
Dan Black - "Symphonies"

BREAKTHROUGH VIDEO
Dan Black - "Symphonies"
Gorillaz featuring Bobby Womack & Mos Def - "Stylo"
Coldplay - "Strawberry Swing"
The Black Keys - "Tighten Up"

*Em negrito os escolhidos pelo Faixa Livre

sexta-feira, 16 de julho de 2010

E os indicados ao VMB 2010 são:

O VMB, considerado a maior premiação brasileira, acaba de anunciar os seus indicados.

Promovido pela MTV Brasil, o prêmio escolherá os melhores, na opinião do público e será divido em 11 categorias, que são elas: Artista do Ano, Clipe do Ano, Show do Ano, Hit do Ano, Revelação, Aposta, Rock, Pop, MPB, Rap e Música Eletrônica. Entre os artistas mais indicados estão as bandas NX Zero e Restart.

A festa vai acontecer no dia 16 de setembro com trasmissão ao vivo da MTV e será novamente apresentado pelo Marcelo Adnet, estrela da casa.

Veja a lista dos indicados:

Artista Do Ano

Otto
Fresno
Restart
Nx Zero
Sandy
Pitty
Mallu Magalhães
Capital Inicial
Skank
Arnaldo Antunes

Clipe Do Ano

Skank – Noites De Um Verão Qualquer
Mombojó – Pa Pa Pa
Nx Zero – Só Rezo
Mallu Magalhães – Shine Yellow
Marcelo D2 (C/ Zuzuca Poderosa E Dj Nuts) – Meu Tambor
Capital Inicial – Depois Da Meia-Noite
Vespas Mandarinas – Sem Nome
Diogo Nogueira – Tô Fazendo A Minha Parte
Restart – Recomeçar
Cine – A Usurpadora

Show Do Ano

Otto
Pitty
Arnaldo Antunes
Capital Inicial
Nx Zero

Hit Do Ano

Restart – Levo Comigo
Nx Zero – Só Rezo
Skank – Noites De Um Verão Qualquer
Sandy – Pés Cansados
Pitty – Fracasso

Revelação

Restart
Hori
Hevo 84
Replace
Karina Buhr

Aposta

Flora Matos
The Name
Apanhador Só
Unidade Imaginária
Thiago Petit

Aposta Internacional

Janelle Monáe
Darwin Deez
School Of Seven Bells
Big K.R.I.T.
Toro Y Moi

Rock

Pitty
Capital Inicial
Glória
Nx Zero
Strike

Pop

Mallu Magalhães
Sandy
Fresno
Lulu Santos
Restart

MPB

Otto
Diogo Nogueira
Céu
Cidadão Instigado
Lucas Santtana

Rap

Kamau
Ogi
Rincon Sapiência
Lurdez Da Luz
MV Bill

Música Eletrônica

Gui Boratto
Killer on the Dancefloor
Zemaria
Database
Boss In Drama

Artista Internacional

Paramore
Black Eyed Peas
Green Day
Justin Bieber
Tokio Hotel
Jay-Z
Ke$Ha
Katy Perry
Lady Gaga
Beyoncé

Webstar

PC Siqueira
Felipe Neto
Mystery Guitar Man
Katylene
O Criador

Webhit

Cala Boca Galvão - Save Galvao Birds Campaign
Justin Biba - Paródia Justin Bieber (Música Baby)
Puta Falta de Sacanagem
Zeca Camargo Bocejando no Fantástico (06/06/2010)
Dunga Em Um Dia De Fúria!

Game

God Of War Iii
Super Mario Galaxy 2
Batman Arkham Asylum
Red Dead Redemption
Call Of Duty: Modern Warfare 2

*Em negrito os escolhidos pelo Faixa Livre