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domingo, 9 de agosto de 2015

Comentários sobre Interstellar (2014) de Cristopher Nolan

Essa foi a minha primeira experiência com um filme do Cristopher Nolan após um bombardeio de críticas que eu ouvi sobre o método extremamente explicativo do diretor. Nunca parei para analisar a existência de personagens chaves que em determinado momento dos longas surgiriam com diálogos entre outros personagens explicando determinado contexto, acontecimento ou narrativa que Nolan não conseguiu transmitir através da imagem.

Essa é uma crítica válida. Li, recentemente, em um livro sobre cinema e educação que se é pra contar uma história através da fala (diálogos e narração) não é necessário o cinema. Uma conversa daria conta disso. Escrever um livro daria conta disso. O cinema é uma arte que tem sua própria linguagem. Saber usar esse instrumento sem apelar a escolhas óbvias e fáceis é uma das grandes qualidades de um diretor.
 
Matthew McConaughey é um ótimo ator. Incrivel como, até o ano passado, eu nunca tinha ouvido falar dele e do nada surge "True Detective", "O Lobo de Wall Street" e "Clube de Compras Dallas"

Os efeitos visuais são muito bons, me lembrou bastante "Gravidade" e "2001: Uma Odisséia no Espaço". Outra semelhança entre Interstellar com esses filmes são as questões filosóficas sobre a pequenez humana, tão comum em filmes de viagens no espaço

Muitas expectativas para os seus próximos papéis, cara!
Porém em Interstellar, último filme lançado de Nolan e o primeiro após o fim da trilogia Batman, esses elementos não me incomodaram. Acredito que até me ajudaram, de uma forma bem pobre, a me inserir dentro de um assunto que tenho pouco conhecimento. A explicação de um dos astronautas mais as passagens da tripulação pelo “buraco de minhoca” me ajudaram a entender o que é aquele fenômeno.

Mas o que realmente me incomodou em Interstellar é o final ambíguo que o diretor repetiu em mais um filme. Não sei se o Nolan acredita que isso pode transformar em uma marca registrada das suas obras ou que isso torne a sua filmografia em cinema de autor. Deve ser isso. Porém, esse recurso não traz nada que caracterize uma marca de artista, pode até render a ideia de que, não sabendo resolver seus roteiros, apela para o subjetivo deixando para o telespectador a responsabilidade de terminar a história.



segunda-feira, 6 de abril de 2015

Crítica: Birdman ou (A inesperada virtude da ignorância)



O protagonista do filme Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), Riggan Thomson (Michael Keaton), parece ser um daqueles atores marcados por uma única produção significativa em termos artísticos ou mercadológicos da sua carreira. Sucesso em décadas passadas interpretando um super-herói, Birdman, Thomson é um ator que tenta voltar ao estrelato com a sua mais nova produção, uma peça de teatro chamada: “What We Talk About When We Talk About Love”.

Dirigido por Alejandro González Iñarritu, de 21 gramas e Amores Brutos, a estória acontece em um teatro na Brodway e suas redondezas durante o final da pré-produção e apresentação do espetáculo. A montagem de Birdman é uma colagem de planos sequências como se fossem um só, parecido com o trabalho de Hitchcock em Festim diabólico, através de cortes disfarçados e diferente do filme francês Arca Russa de 2002, onde realmente não existem cortes. Um elemento estético interessante que o diretor adotou, em vários momentos do filme, é o uso de elipses (espaços de tempos) nas mudanças de sequências que variam entre passagem de movimentos de câmera pelos cômodos do teatro a mudanças sonoras e visuais nos ambientes.

Inãrritu tenta explorar um debate sobre as novas relações tecnológicas, artísticas e de comunicação no seu longa mais recente. Em muitos momentos a gente ouve referências à internet, ao jornalismo, ao mercado cinematográfico e artístico de um modo geral. Porém, ele parece se preocupar muito mais no próprio cinema, o que dá um caráter metalinguístico ao longa. Essa preocupação está principalmente relacionado com o personagem marcante na carreira do seu personagem principal, Birdman, um super-herói. O diretor tenta fazer uma dura crítica aos blockbusters do momento.

Mas, diferente da proposta de um Watchmen, com suas profundas reflexões, Birdman por vezes adota um discurso elitista e superficial. Apesar da ótima metáfora dos superpoderes do artista, que se sente um deus perante o resto dos homens, Iñarritu erra a mão ao fazer suas análises. Os objetos em que o diretor tentar fazer uma observação crítica são totalmente passíveis de um olhar mais apurado, porém ao não apresentar situações narrativas que apresentem justificativas e aprofundem o debate, o filme acaba trazendo uma temática interessante, mas com pouco argumentação.


O sub-título do filme já diz muita coisa: “A Inesperada Virtude da Ignorância”, pode soar de certa forma arrogante com o público assíduo por filmes de super-heróis, por exemplo. Isso dá uma acentuada ainda maior quando o personagem de Edward Norton, Mike, fala para Thomson: “um idiota nasce a cada segundo”, em referencia ao seu público, “as pessoas pagam por qualquer coisa”. Nesse direcionamento o filme ganha uma perspectiva parecida com aqueles pessoas de meia-idade saudosista que adoram falar como as coisas antigamente eram mais interessantes.

“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” é um filme rico imageticamente e traz contribuições visuais e narrativas interessantes. Os diálogos entre os personagens e as relações entre o protagonista e o restante do elenco são muito divertidas, além de uma construção interessante de todos os seus personagens que tendo muito ou pouco espaço na narrativa deixam claro as suas vontades, desejos e personalidades. Não será o trabalho mais aclamado de Alejandro González Iñarritu, Amores Brutos ainda continua sendo o meu favorito, porém pode ser lembrado como um filme relevante da sua carreira.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

As novas relações econômicas e sociais entre consumidores e produtores no mercado artístico

Artigo apresentado em 2014 para a matéria "Tecnologia e linguagem dos meios de comunicação" do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Raul Marx Rabelo Araujo
Estudante de Comunicação social da UFS

Resumo

O mercado fonográfico encontra-se em uma grande enrascada. Com a acensão da internet e o seu modelo de compartilhamento incessante, os grandes selos e gravadoras viram as suas economias em crise. De um modo geral, o surgimento dos torrents e sites de hospedagem aumentaram a circulação de conteúdo artístico, mas em compensação freou violentamente a economia fonográfica. Por outro lado, o cinema, com forte poder de reinventar-se, devido ao seu modelo de consumo, não enfrentou tantos problemas. Entretanto, com o crescente aumento dos mais diversos tipos de tela, essa situação começa a incomodar.

O Presente artigo tenta relacionar os debates apresentados na obra “A Tela global” de Gilles Lipovetsky com a postura inovadora de Amanda Palmer dentro do mercado fonográfico. Apesar de os dois assuntos tratarem de nichos diferentes, cinema e música, pretendemos problematizar a relação entre consumidor e produtor de arte à partir das inovações tecnológicas, não só pelas vias econômicas, mas também pelas relações sociais.

Introdução – Um novo modelo de consumo

A tecnologia dos anos 1980 cola-se à pele, responde ao toque: o computador pessoal, o walkman, o telefone portátil, as lentes de contato. Alguns temas centrais emergem repetidamente no ciberpunk. O tema ainda mais poderoso da invasão da mente: interfaces cérebro-computador, inteligência artificial, neuroquímica – técnicas que radicalmente redefinem a natureza da humanidade, a natureza do eu... (SANTAELLA, 2007, p. 128, apud DYENS, 2001, p. 73)


A citação acima refere-se aos anos 80, mas ela cabe perfeitamente ao que viria acontecer nos anos posteriores. Vivemos o pós-humanismo, ou seja, vivemos cada dia mais numa difusão entre homem e máquina. Mas diferente das previsões oitentistas em filmes como Blade Runner, a tecnologia não está desmembrada do ser humano. Não existem ao nosso redor robôs andantes e falantes que nos servem, na verdade, a nossa relação parece ser mais carnal, conectada. A tecnologia hoje interfere nas relações humanas como suporte. As telas espalhadas pelo mundo com seus aplicativos e a internet oferecem um modelo de troca de informações e comunicação bem mais simplificados.

Nossas relações sociais, profissionais e financeiras quase nos obriga a entrar nessa lógica de intermediação tecnológica. Essa interferência, se bem utilizada, facilita a vida do ser humano, além de lhe trazer mais conhecimento e entretenimento. Nesse espaço novas alternativas de consumo audiovisual se ampliaram, vemos TV e ouvimos rádio de maneira diferente, nos comunicamos com mais facilidade em meio as redes sociais e até coisas banais, como chamar um táxi e identificar uma música legal se tornaram simplificadas. Todo esse movimento pode ser caracterizado como cibercultura. Entende-se esse termo como “a relações entre as tecnologias informacionais de comunicação e informação e a cultura, emergentes a partir da convergência informática/telecomunicações na década de 1970” (Lemos, 2002).

Ainda segundo André Lemos, a cibercultura tem como principal orientador a “re-mixagem”, que seria mais ou menos o costume de reaproveitamento e edição de conteúdo e informações dentro das tecnologias digitais. Esse principio tem como características básicas: “a liberação do pólo da emissão, o princípio de conexão em rede e a reconfiguração de formatos midiáticos e práticas sociais”, ou seja, o antigo consumidor torna-se também produtor, cria e adapta o que já existe; se expandem as conexões entre os usuários com acensão dos dispositivos móveis e a expansão do acesso a internet e, por último, a restruturação da industria que destrói o monopólio burgues.

A cibercultura reconfigurou não só a industria cultural, como também revolucionou as relações pessoais e a experiencia humana. Alterou as formas de produção e circulação material, de conteúdo e de serviços, assim também como modificou a troca de informações e a comunicação. Dentre dessa revolução, as mídias hegemônicas e a industria cultural, viram o seu monopólio ruir. As novas mídias apresentam um formato igualitário e democrático e fazem com que a industria acabe ganhando novas molduras. Dentro desse novo momento surgem novos conflitos, não só para a industria como também para artistas e produtores.

As soluções de Amanda Palmer


Amanda Palmer não foi a criadora de um sistema que se adaptou as novas tecnologias. As plataformas que ela usou para arrecadar dinheiro dos fãs para uma produção independente, já existiam. Na verdade, a cantora é um exemplo de uma restruturação da industria da arte a partir do próprio artista. Nesse novo modelo as grandes industrias perdem o controle para os produtores, o que resulta uma maior liberdade para o mesmo.

No caso de Amanda Palmer, cantora da banda The Dresden Dolls, a plataforma usada por ela foi um site de crowdfunding, financiamento coletivo. Esses espaços funcionam de forma inversa ao modelo consolidado anteriormente. Os consumidores, fãs e amigos, pagam antecipadamente pelo produto a quantia que achar necessária, para só depois, afinal a realização ainda vai acontecer, receber o produto. Na arrecadação que Palmer fez junto aos fãs, sua pretensão era de 100 mil, mas acabou conseguindo mais de US$ 1 milhão, ou seja, transformou-se em um ícone desse modelo de negócio.

Para a cantora esse novo modelo de gestão de negócio é libertário: “Eu quero fazer música e quero ter o controle. Geralmente, perde-se o controle quando se assina com grandes gravadoras, e acaba não valendo a pena, mesmo que a grana seja maior. Eu tenho uma boa ideia de quem são os meus fãs, o tipo de música que eu quero fazer, como eu quero que o conjunto fique” (PALMER, 2013).

Uma revolução na industria da arte

O 'verdadeiro' cinema não se acha atrás de nós: ele não cessa de se reinventar. Mesmo confrontando a novos desafios de produção, de difusão e de consumo, o cinema continua sendo uma arte de um poderoso dinamismo, cuja criatividade não está de modo algum em declínio. O tudo-tela não é o túmulo do cinema: mais do que nunca este demonstra inventividade, diversidade, vitalidade (LIPOVETSKY; SERROY, 2009, p 14).


Assim como a industria fonográfica, o cinema também enfrenta um dilema. Com a expansão das telas, principal suporte para as tecnologias atuais, o audiovisual estará em todos os lugares, mas em descompensação pode por em risco o formato atual da industria cinematográfica. Mas, diferente da música, o cinema consegue se adaptar e resistir, entretanto os meios de transmissão de conteúdo audiovisual não param de surgir e por isso esse cenário deve se transformar.

A primeira grande concorrência tecnológica que gerou medo na industria cinematográfica foi o surgimento da televisão. Muitos acreditavam que as pessoas deixariam de assistir filmes em salas de cinema, para assistir no conforto das suas salas. Acabou que a televisão construiu uma linguagem, metodologia e sistema financeiro próprio, diferenciando da sétima arte. Hoje em dia, o próprio modelo clássico de ver TV está mais ameaçado que as exibições de filmes em salas de cinema. Houve uma reconfiguração, as salas acabaram se transportadas para dentro dos shoppings e os investimentos de filmes dedicados a várias “janelas”, ganharam um maior financiamento.

A questão agora é que o problema (ou solução) é bem mais complexo. Vivemos à época da tela global:

Tela em todo lugar e a todo momento, nas lojas e nos aeroportos, nos restaurantes e bares, no metrô, nos carros e nos aviões; tela de todas as dimensões, tela plana, tela cheia e minitela portátil; tela sobre nós, tela que carregamos conosco; tela para ver e fazer tudo. Tela de vídeo, tela em miniatura, tela gráfica, tela nômade, tela tátil, o século que começa é o da tela onipresente e multifome, planetária e multimidiática (LIPOVETSKY; SERROY, 2009, p 14).

Todas essas definições de telas aglomeram dentro delas plataformas que, a cada vez mais, fazem ligações de uma mídia com outra, num processo chamado transmídia. Tv e rádio hoje já são transmitidas online, o serviço do Netflix, por exemplo, oferece um modo revolucionário de ver televisão: o que quiser, quando quiser em qualquer lugar. A televisão perde cada vez mais audiência, mas algumas séries batem recordes de downloads, os investimentos para as produções televisivas se equilibram com os grandes filmes hollywoodianas, o que parece acontecer é que as produções seguem o mesmo caminho feito pelas mídias, tudo conectando-se.
Produções baratas lotam sessões, produções caras enchem programações de canais de assinatura, filmes estreiam direto na TV, exibições simultâneas de episódios de séries em todos os países que o canal tem retransmissoras, rádio em aparelhos televisivos, Tv em dispositivos móveis. Os limites entre TV, rádio, cinema e internet parecem cada vez mais desaparecer e é dentro dessa lógica que o capitalismo parece desestruturar-se. Mas o que é mais interessante é que o monopólio da produção cultural foi quebrado, as tentativas de resistência fora desse novo modelo social ao qual se organiza as relações sociais, frustraram.

Dentro desses dois panoramas, com o audiovisual expandindo suas plataformas de exibição e ao mesmo tempo transformando essas mesma plataformas em uma única coisa, onde o que diferencia as produções é o caráter técnico, e a música arranja novas formas de financiamento, bandas recorrem a financiamentos coletivos, disponibilizam grátis o disco na internet ao mesmo tempo que aumenta o preço e o número de shows . O que fica claro é que o mercado se reconfigurou, a crise existe para quem não se adequou as novas tecnologias.

Conclusão

Como fica claro na introdução deste artigo, a internet revolucionou as relações sociais e constantemente transforma a industria cultural. Ela tem um caráter bastante democrático e anárquico. As informações cada vez mais sai das mãos dos detentores de capital, isso é um grande avanço para humanidade. Mas o futuro apresenta grandes conflitos. Dentro do sistema em que vivemos, a arte precisa sustentar-se, os produtores precisam de dinheiro para produzir mais. Entretanto, ao mesmo tempo, esse democratização da “arte em todo lugar” não pode morrer, nem deve, pela dimensão que a internet tem.

Na verdade, as tecnologias a partir das interferências sociais, modificaram toda a estrutura de sociedade. O capitalismo, como conhecemos, até então, está morrendo. A democracia no consumo da arte vem de um viés de esquerda e ameaça o “livre mercado”, mas fomenta a liberdade individual. O grande risco, que é comum dentro desse sistema, é que ele queira apoderar-se dessas liberdades. Uma visão otimista da manutenção desse mercado é o exemplo de Amanda Palmer, mas existem ações da antiga mídia hegemônica e agora destruída tentando retornar a sua dominação. Mas o interessante é que além das alternativas criadas pela tecnologia, ela própria em seu sistema dificulta essas atitudes.

sábado, 21 de setembro de 2013

O Que vi: Mostra Tati por inteiro














Tati, por muito tempo, ficou no meu olhar periférico de cinema. Não por motivos de qualidade e sim porque pouco ouvia falar sobre ele. O meu primeiro contato com o nome foi em "Meu tio", que em um passado distante alguém havia me recomendado. Mas a figura ainda não fazia a minha cabeça. A segunda aparição foi em um vídeo do omelete em que se discute "Playtime". Me instigou, quero ver. Mas o que, definitivamente, me levou a conhecer o diretor foi a "Mostra Tati por inteiro", promovido pelo SESC que rolou no Cine Vitória em Aracaju.

Jacques Tatischeff poderia ter sucedido o pai no comércio de molduragem ou seguido uma carreira no exército, mas, felizmente, teve uma oportunidade em um determinado baila de gala. No evento, feito para celebrar um certo prêmio, Tati pode apresentar a sua performasse como ator, acrobata e dançarino. Daí foi só um pulo para ele sair do teatro e ir parar no cinema, não só em frente as câmeras como também atrás delas.













Em "Meu tio", filme que considero o melhor entre os que assisti, Tati já encanta pela sua leveza na narrativa, sua critica social e sua capacidade de fazer rir. No filme acompanhamos o Mr. Hulot, homem simples e de pouca ligação com bens materiais, convivendo com uma parte de sua família bem mais rica e de forte ligação afetiva e moral com o consumo. A irmã, o cunhado e o sobrinho moram em um bairro de classe média em uma casa funcional, cheia de tecnologias que "facilitam" as suas vidas. O longa discorre sobre a relação do personagem principal, recorrente em sua filmografia, junto ao pequeno sobrinho.

"Meu tio" trata-se de uma incrível crítica de Tati ao consumismo exagerado da sociedade em que vivia e que existe até os dias de hoje. A todo momento esse tipo de comportamento é ridicularizado pelo diretor, principalmente com suas piadas que pouco necessitam de diálogos para fazer rir. Na casa moderna da sua família, os produtos são personagens mais importantes que os seus habitantes. A irmã de Hulot, incansavelmente, mostra a casa as seus amigos e vizinhos, ligando o chafariz todo momento em que uma visita ameaça entrar na sua casa.

Para destacar o contraste entra vida simples do personagem e do restante da sua família, Tati trabalha com um aspecto visual e sonoro bastante interessante. Nas cenas do bairro rico, os tons cinzas e as formas geométricas tomam conta da imagética, enquanto nos passeios do Mr. Hulot pelas ruas do seu bairro simples, o marrom junto ao colorido transforma aquele lugar em um espaço bem mais confortável e bonito. Outro aspecto que acentua esse discurso é pelo fato da ausência de trilha sonora nas cenas da família em sua mansão, enquanto no outro espaço uma música alegre e bem francesa nos faz querer estar entre aquelas pessoas. Isso reflete o comportamento do sobrinho, que se identifica com o tio e repete o estilo de vida do mesmo, fato que parece ser o principal conflito do filme, já que a narrativa de Tati pouco se assemelha com a clássica.



Parada é uma espécie de circo e teatro numa tela de cinema. Trata-se de várias esquetes de humor em que Tati e vários artista se revesam em um circo gravado. Variando cenas de bastidores com apresentações de dança, pintura, balé, acrobacia e tantas outras manifestações, Parade é um filme feito para televisão. Com a maioria dos seus planos abertos como se o olhar da câmera fosse o do público, o filme tenta nos convencer de que a participação da platéia, que ocorre a todo momento, é improvisada. Claramente não é. O filme parece ser documental, mas só uma criança poderia ser enganada assim, o que faz sentido, já que o filme também parece ser direcionado ao público infantil. 














A ruína financeira de Jaqcques Tati, devido ao seu alto custeamento e demora na produção, Playtime é outro longa da filmografia do diretor com uma forte crítica social. Considerado por muitos como o seu melhor filme, o personagem Mr. Hulot volta nessa estória vagando pelas ruas de uma Paris simétrica, cinza e consumista. Apesar de ser um personagem que aparece a todo momento na narrativa, nesse filme, Tati parece descentralizar Hulot e abrir espaços para outros personagens que acabam se ligando de alguma forma e, às vezes, mais de uma vez durante o longa.

Os personagens mais interessantes nesse filme são os americanos, aqui temos um julgamento de valor de uma futilidade consumista idiota desse povo. Um grupo de mulheres que visitam a capital francesa e um empresário vindo dos Estados Unidos são os personagens mais ridículos que já vi. As mulheres visitam uma Paris que muito se assemelha a uma Nova York para comprar produtos do próprio país, essa situação ridícula parece ser uma aversão do próprio Tati ao concreto, ao cinza e ao consumo. Podemos comprovar essa afirmação quando vemos pedaços interessantes e simbólicos da cidade refletidos em vidros, aqui ele parece querer dizer: olha, isso é simples, é bonito e é legal!

Outra situação interessante é quando Mr. Hulot visita um ex-companheiro de guerra. Aqui recordei de "Meu tio" quando a irmã do personagem mostrava a sua casa aos amigos. Nessa cena a situação se repete. O amigo de Hulot mostra a casa dele ao homem, clara crítica a ostentação que vê como valor humano bens de consumo. O diferencial entre a cena dos dois filmes, e que fez a cena de Playtime ser mais genial, é o fato do apartamento do ex-companheiro ter uma enorme tela de vidro que deixa visível as pessoas que passam pela rua a sua sala de estar. Esse toque da arte e de enquadramento, já que vemos a cena pelo lado de fora através desse vidro, me fez lembrar vários termos: Big brother, facebook, sociedade do espetáculo, The wall...

Enfim, a filmografia de Tati mostra-se interessantíssima e importante para os estudantes e amantes do cinema. Seu trabalho sonoro e visual contribui significativamente a sétima arte. Sua semelhança com Charles Chaplin não o faz menos original, pelo contrário. Temos aqui um diretor, ator, dançarino e político incrível.

domingo, 30 de dezembro de 2012

A Árvore da Vida (2011)


É uma imensa responsabilidade falar de A Árvore da Vida, mas, ao mesmo tempo, uma reflexão obrigatória para todos os que tiveram oportunidade de assisti-lo. O filme de 2011 de Terrence Malick divide opiniões.  Parece não existir meio termo, há os que acham um filme chato e metido a intelectual e os que o reconhecem como uma das grandes obras dos últimos tempos. Eu fico no segundo grupo. Não, eu não sou superior a ninguém por ter amado o longa, nem tampouco um metido a intelectual, se assim definem uns aos outros, alguns membros do time do ódio e do time do amor ao filme.

Cinema não é só entretenimento, acima de tudo é uma arte e é um grande engano ir ao cinema pra vê apenas o que gosta. Por exemplo, As vantagens de ser invisível é um tipo de coisa que eu gosto de ver, já Violência Gratuita é o contrario, mas não posso deixar de reconhecer que o segundo filme é melhor e mais importante do que o primeiro. É essencial se desprender do egoísmo do gosto para analisar bem uma obra artística.

As pessoas que não entenderam, em todos os sentidos, o filme (e é compreensível), em sua grande maioria, são pessoas providas de uma inocência cinematográfica ou de um vício hollywoodiano e até de uma visão crítica sobre esse tipo de estética. Mas o que mais incomoda nas críticas negativas é o argumento de que o filme não tem estória. Em primeiro lugar, cinema não precisa contar estorinhas com começo, meio e fim. Glauber Rocha, um dos diretores brasileiros mais reconhecidos mundo a fora, não concentrava os seus filmes diante uma narrativa clássica, e sim na sequência de imagens que montavam alegorias para sua crítica social. Em segundo lugar, apesar da abordagem filosófica, o filme conta sim e claramente uma estória. Na verdade, uma estória bem mais próxima do real do que a maioria dos filmes por aí.

O roteiro do filme começa em um futuro onde os pais da família central da estória recebem a notícia do falecimento de um dos filhos. A partir daí e depois de uma longa cena de sofrimento dos personagens, o filme divaga em imagens da natureza e do universo, depois vai ainda mais longe ao tempo cronológico e chega a outro filho em sua fase adulta ainda sofrendo com a morte do irmão. Depois o filme volta à infância dos filhos e a vida da família em conjunto, todos os seus problemas e felicidades.

A Árvore da Vida é um filme diferente para cada pessoa. Lembrou-me muito 2001, uma odisseia no espaço, do Kubrick, que em determinada entrevista sobre o filme de 68, questionado sobre a interpretação do longa, ele falou que o seu filme servia para abrir questões e não solucioná-las. Descrição esta que se encaixa muito bem para o filme em discussão.

Na minha visão, o longa se baseou no questionamento da nossa existência no mundo, sobre a teoria da criação do universo por Deus e da teoria do evolucionismo proposto por Darwin, do relacionamento entre os seres humanos, sobre os sentimentos de amor e ódio e o complexo que é ser um ser racional e não saber de quase nada sobre o que gente realmente é, se realmente somos alguma coisa.

Apesar das inúmeras críticas considerando o filme como um pró-criacionista, no meu entendimento, tendo a ideia de que a obra é única para cada individuo, o longa se mostrou muito mais aberto ao questionamento. Não posso deixar de dizer que o filme abala o ateísmo, mas não por mostrar uma verdade absoluta e sim por abrir questionamentos. Um ponto interessante é a relação do filho, personagem principal, com o seu pai, que metaforicamente pode representar o ser humano e a relação conflituosa com uma divindade. Além dessa situação temos ainda vários outras relações entre a família que representam metáforas existenciais muito interessantes.

Esse filme teve forte impacto na minha vida, falo filosoficamente, esteticamente e artisticamente. Me fez ficar madrugadas sem consegui dormir, pensando sobre o que é arte e sobre o que é vida. Mesmo assim, a obra, não fez eu me esclarecer nessa neblina que é o ser humano. Eu ainda continuo no escuro e sendo um humano ignorante, mas agora, talvez, mais questionador. Vale muito a pena ser assistido!



segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Dois curtas do Spike Jonze

Spike Jonze é, simplesmente, divino. Ás vezes, fico pensando o quanto é difícil ser original, se a cada vez mais, tudo está sendo feito. O Spike não é só original, como também, é um grande nome do cinema mundial. Desde seus clipes de bandas indies, até os longas Quero ser John Malkovich, Adaptação e Onde vivem os monstros, ele vem mostrando o seu enorme talento. 

Com seus roteiros melancólicos e, aparentemente, inocentes; personagens, psicologicamente, bem elaborados e a sua fotografia triste, as obras de Spike Jonze marcam por seu tom poético, politizado e filosófico. 

Os dois curtas a seguir são Estou aqui, uma obra que fala sobre sentimentos e diferenças dos seres humanos e Scenes from the suburbs, que em parceiria com a banda Arcade Fire, produziu uma extensão do clipe da música The Suburbs, do último álbum da banda. Em ambos os curtas, já ouvi diversos tipos de interpretações que fogem do sentimentalismo escrachado das duas obras. Spike Jonze não é só poesia, há muito mais, implicitamente, em tudo que ele faz.


 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Precisamos falar sobre Kevin (2011)

Não sou psicólogo para dizer exatamente o que é um psicopata. Já li alguns texto e futuramente pretendo ler um livro que fala sobre o assunto. Mas, tentando ser o mais simplista possível, tentarei explicar o que é isso. Antigamente, no meu esteriótipo mundinho infantil, eu pensava que os psicopatas eram pessoas loucas que saiam matando todo mundo. Não é bem assim. A psicopatia é um especie de diferença mental na qual o individuo é caracterizado pela ausência de sentimentos e pelo grave desvio de caráter, devido a falta de remorso e culpa, a frieza e a insensibilidade aos sentimentos alheios.

Em “Precisamos falar sobre Kevin”, baseado no livro homônimo, na qual a capa é a foto de um garoto com cabeça de bicho (clique aqui para ver a imagem), o que já adianta um pouco sobre a história, vemos o processo de crescimento de Kevin, um garoto com fortes traços de psicopatia. Toda a história é contada pelo ponto de vista de Eva, mãe do garoto, que percebe desde muito cedo o comportamento diferente do filho.

Desde muito pequeno, nós percebemos aspectos desse problema na personalidade do garoto, ele é extremamente inteligente, irritante, cruel, manipulador, sem remorso e mentiroso. Quando muito pequeno costumava se recursar a brincar com a mãe e demora muito tempo para começar a falar. Já um pouco maior, por volta dos 8 anos, ainda usava fralda e costumava fazer bagunça com a comida, tudo isso apenas para irritar a sua mãe. Como no caso em que, depois de um longo dia de trabalho dela, decorando o seu quarto, o garoto, em questão de segundos, destrói todo o trabalho feito. Já jovem mata o bicho de estimação da irmã e depois de ser pego pela mãe se masturbando continua a fazer encarando-a. Isso é tudo muito perturbador. Parece que há um certo tipo de obsessão do garoto pela mãe, ele tenta, ao máximo, fazê-la infeliz. Ao contrario do pai, na qual o seu comportamento era totalmente diferente, levando a um certo tipo de manipulação dele para que o pai não perceba a sua crueldade e por isso ponha ele contra a mãe.

Em determinada cena mostra-se o pai e o filho jogando vídeo game. Mesmo não se aprofundando no assunto, o filme abre uma discussão. Muitas pessoas acreditam que filmes e jogos violentos influenciam na personalidade das crianças e a torna-as cruéis. Eu discordo totalmente. A minha geração, por exemplo, foi criada consumindo produtos considerados violentos e eu não conheço nenhum amigo meu que foi influenciado por isso. É porque, normalmente, a mídia tenta justificar acidentes como o da estreia de Batman nos EUA, culpando os grandes produtos da cultura pop. Esse tipo de coisa não faz sentido, até porque o atirador do cinema com certeza tem algum tipo de problema, podendo ser até um psicopata. Na verdade, pelo contrário, esses tipos de produtos são positivos, pois ajudam as pessoas a diferenciar a realidade da ficção e do que é certo e o que é errado.

Devemos elogiar totalmente o trabalho da direção do filme, é simplesmente espetacular. Como o uso do vermelho em cena, por exemplo. Pra começar o filme começa com muito vermelho, na qual a personagem Eva esta no meio de um evento conhecido como Tomatina, uma guerra de tomates que acontece na Espanha. Esta cor está sempre relacionada com o sofrimento da personagem e as suas sequelas pós-tragédia. Uma dica disso é no começo do filme, na pressa em pegar o elevador. o botão é vermelho. Ou seja, o vermelho é algo que a prende ao passado na qual ela tenta se limpar, tanto do corpo, depois da Tomatina, tanto da casa que aparece certo dia suja dessa cor na entrada.

Outra parte espetacular do filme é a cena em que Kevin sai do ginásio após a tragédia. Neste momento entra um áudio de pessoas aplaudindo e gritando por ele, como se fosse um show na qual ele é o espetáculo. Áudio esse que não tem nada haver com a reação das pessoas fora do ginásio. Isso resume o sentimento do personagem de chamar atenção e fazer a mãe sofrer novamente, mas também pode soar como uma crítica a sociedade. Como no termo A Sociedade do Espetáculo, na qual uma grande maioria das pessoas constroem uma imagem de vida feliz e de politicamente correta para se mostrar para as outras pessoas, numa tentativa de ser aceito.

Outra coisa bastante interessante é essa incessante procura por culpado que a sociedade busca, na tentativa de justificar algo que é obvio. Nesse caso é óbvio que o garoto tinha problemas e que o desastre é culpa dos problemas do garoto. Mas o que acontece é que a comunidade culpa a Eva a todo momento. Ou foi isso que pareceu, afinal a agressividade das pessoas da comunidade pode ser uma paranoia da personagem que se culpa como ninguém. Afinal o vermelho está ali a todo momento, mostrando a culpa, o sofrimento e a tristeza de Eva. Então fica a dúvida.

Mas, eu me pergunto, o que fazer se a gente descobrir que um amigo ou parente nosso é um psicopata? Afinal, segundo estimativas, uma a cada trinta pessoas são psicopatas. Lembrando que psicopatas não são, necessariamente, assassinos. "Eles geralmente são médicos, lideres religiosos - daqueles que roubam o dinheiro dos fiéis sabe, políticos, advogados, o amigo que pega dinheiro emprestado e não devolve, aquele que bota a culpa em outros, especialistas em fazer você acreditar na mentira deles, esse tipo de pessoa vive praticamente duas vidas ou mais ao mesmo tempo e não conseguem dar um deslize para que outros saibam que aquilo o que ele diz é mentira. A psicopática geralmente vem agregada ao mentiroso compulsivo." (Fonte) O que fazer? É bem complicado, mas se a gente desconfiar dessas coisas deve-se fazer um encaminhamento a um psicólogo pra tentar descobrir se realmente trata-se disso, pra depois ter um acompanhamento psicológico desse individuo, ou sei lá, tomar alguma providência.



Pra terminar esse imenso post, gostaria de elogiar também os atores. Todos, desde a atriz que fez Eva (Tilda Swinton) até o Kevin em suas diferentes fazes. O filme é um trabalho primoroso de acertos em todos os aspectos e já se tornou um dos meus longas preferidos. Futuramente pretendo ler o livro também, aí quem sabe uma resenha role por aqui.

sábado, 26 de maio de 2012

Marvel vs DC

Não posso dizer que sou fã de HQ, na verdade li tão poucas que não quero nem listar. Por isso, minha avaliação se dará através das experiencias pessoais com desenhos animados e filmes, principalmente os recentes. Eu sei que é um assunto polêmico e delicado (risos), mas eu sempre quis colocar a minha posição.

Pra começar é preciso desmistificar a infantilidade e superficialidade diante dos HQ's e dos super-heróis. Como muitos devem saber, as HQ's são consideradas a oitava arte (uma brincadeira com o cinema por ele ser considerada a sétima) e não se limitam a estórias de super-heróis. Na verdade, você pode encontrar todas as categorias de narrativas nesses livros. Além, é claro de fazer parte da cultura pop mundial e influenciá-la, não só ela como também as artes em geral. Sobre os heróis, o que tenho a dizer é, eles não são só caras e moças bonitas que brigam contra o mal, se parar para conhecer melhor sobre o assunto, perceberá a quantidade de metáforas filosóficas, politicas, sentimentais e sociais presentes nas estórias. É uma arte completa!

Nessa disputa das grandes criadoras de personagens heróicos, não tenho dúvidas sobre quem seria o vencedor: DC Comics. Por vários motivos, pra começar: O Batman. Existe super-herói mais foda do que o Batman? Existe filme mais foda que "Batman: O cavalheiro das trevas"? Aquela mistura de fantasia com realidade, com toques filosóficos de existência e do que é certo e errado com cenas de ação fodíssimas, como a do assalto ao banco feito pelo Coringa. Ah, e o Coringa? O que é aquele Coringa?! Um cara louco que não tem pretensão de riqueza e poder (diferente do clichê Loki)* um personagem interpretado pelo magnifico Heath Ledger, que apenas quer ver o caos, um psicopata! Além de ser um longa que entrou pra história do cinema, tá na lista dos 1001 filmes para ver antes de morrer e foi dirigido por um dos grandes diretores hollywoodianos da nova geração, Christopher Nolan. (Outros longas que acho tão bom quanto ele são, o Watchmen, e, um pouco mais inferior a esses dois, V de Vingança, ambos da DC).

O segundo ponto para eu ter a DC como preferida é a animação "Liga da Justiça: Sem limites" exibida pelo SBT no seu programa infantil. Na verdade, esse desenho está bem longe de ser um produto para crianças, devido a sua complexabilidade nas estória e sua metáforas ao nazismo, por exemplo. Comparo a qualidade dele a grandes clássicos da história da animação mundial, não pelo traça e sim pelo roteiro.

O terceiro e último ponto são os personagens. Apesar de não gostar do Superman, ainda prefiro a DC neste quesito. Além de conter o melhor personagem da categoria de todos os tempos, Batman, eles possuem o Flash, não consigo explicar porque gosto dele, apenas gosto. Outra coisa que é importante para mostrar a superioridade da DC é analisar a construção dos personagens. Não que a editora seja hipercriativa e o Marvel não, a questão é que as estórias dos personagens da concorrente são, às vezes, repetitivos e outras vezes infantis e bobos.

É importante lembrar que eu gosto da Marvel, adoro o X-men, os Vingadores e tantos outros personagens, só odeio o Quarteto fantástico, mesmo!

*Sobre a espetada aos Vingadores: É um filme legal e tem boas cenas de ação e efeitos especiais indiscutíveis, mas o clichê da história me incomodou bastante. Um vilão que quer conquistar o mundo, pra mim, só reforça a infantilização da Marvel. E outra coisa, aqueles piadas a todo momento, forçaram um pouco. Não é toa, se você parar para perceber, que a cada piadinha, os personagens ficavam uns 3 segundos calados pra que o público do cinema pudesse rir. Mas, eu seria injusto se falasse que a cena do Deus fraco com o Hulk e o Loki é ruim, foi muito boa.

Não poderia deixar de divulgar a aposta a melhor filme comercial do ano: Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge ou The Dark Knight Rises. Só o trailer mostrar o naipe do negócio!


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Os 3 (2011)



Existe uma linha muito curta entre realidade e ficção. E é aí, onde grandes discussões em volta de documentários se desenrolam. Talvez pelo fato de, muitas vezes, nem nós mesmos sabermos se estamos sendo totalmente verdadeiros ou não, se em frente a uma câmera ou em frente a outras pessoas a gente se comporta da mesma forma e, até mesmo, partindo para uma questão mais rebelde-filosófica de pensamento, se tudo que a gente vive é real ou faz parte apenas de uma matrix.

É esta questão que o filme "Os 3" de Nando Olival, tenta discutir. Trata-se de um longa de 2011, em que três estudantes do interior, resolvem morar juntos em uma espécie de balcão abandonado em São Paulo. A partir de um trabalho de faculdade, um reality show onde todos os produtos que eles usavam no confinamento seriam vendidos, os três se sujeitam a vivenciar o seu próprio projeto. Durante a experiência, os personagens passam a criar histórias e com tempo passam a confundir ficção com realidade.




O filme contém poucos cenários, e o balcão/apartamento é predominante durante os quase 80 minutos de duração. Na primeira parte do longa, existem poucos móveis no espaço, uma mistura de moderno com o antigo e a bagunça. Na segunda parte do filme, os produtos que precisam ser vendidos são acrescentados ao lugar. Com objetos espalhados por todo canto, a composição, faz lembrar muito república de estudantes, com certeza houve uma pesquisa nestes lugares na pré-produção.

As roupas dos personagens trazem certa identificação com o público jovem. As vestes que usam em festas ou em casa faz a gente lembrar nossos amigos ou a nós mesmos, neste universo de faculdade, casa e balada.

Por fim, é um filme interessante, que aborda a questão da liberdade, da realidade e da veracidade dos reality-shows. Com uma direção de arte simples, inteligente e certeira. Apesar de haver um distanciamento do cotidiano do jovem, que encacharia perfeitamente neste longa, mas mesmo assim, uma malhação da vida não chega aos pés desse filme.



domingo, 1 de abril de 2012

C.R.A.Z.Y. - Loucos de amor (2005)



A grande maioria das produções audiovisuais do mundo dão superficialidade aos dramas familiares. Vamos pegar como exemplo a TV brasileira. É comum, em nossas novelas, o dramalhão rolar solta, principalmente aqueles casos em que o pai não aceita o namorado “pobretão” da filha. É grotesco! 

Por outra linha de pensamento temos “C.R.A.Z.Y. – Loucos de amor”, produção canadense de 2005. Nele é contada a faixa da vida de Zac, que percorre o seu nascimento até os seus vinte e poucos anos.  Sendo dividida em três partes: a infância (6 e 7 anos), a adolescência (15 anos) e a entrada para a fase adulta (20 anos). 

O conflito já aparece a partir do primeiro minuto de filme. O rapaz nasce no dia 25 de dezembro e por toda a sua vida tem que carregar o fardo de seu aniversário acontecer na ceia de natal, onde toda a sua família se reúne e onde acontece a lavação de roupa suja deles. E ainda tem que aguentar o fato de sua mãe achar que ele é um escolhido de Deus com poderes de cura.  Filho de pais cristãos e conservadores, Zac enfrenta, desde os seus primeiros anos, a pressão destes ideais em sua vida. Durante a infância, as coisas parecem ser menos complicadas, ele encara apenas as diferenças de gosto com o pai, que acaba reprimindo algumas de suas vontades. Já na adolescência as coisas começam a complicar. As descobertas sexuais acontecem e é o principal ponto, que faz ele se afastar do patriarca. Esse período é o mais confuso da sua vida, além do fato de família não aceitar a sua sexualidade, ele próprio não consegue e acaba reagindo de forma agressiva consigo mesmo. Mas, por mais que a trama aconteça por volta desse conflito, ele é apenas mais um drama de uma complexa cadeia de histórias que tornam o filme completo.



 


O problema do irmão mais velho com toda a família e com ele, que resulta em uma confusa relação de amor e ódio; a religião e o conservadorismo da sociedade faz com que qualquer um acabe se identificando com esses personagens e principalmente com o Zac, não só pela história como também a forma em que ela é contada. Na infância, por exemplo, a imaginação se confunde com a realidade. Na juventude isso também acontece, mas neste período da vida o que mais parece ser relevante é o envolvimento do personagem com a música e a confusão entre a ação e o desejo do mesmo em suas atitudes. E na maturidade a sensação é de liberdade com a viagem a Jerusalém. Outro ponto relevante que ajuda no processo de identificação do espectador com o filme, é o fato de que os personagens, apesar de serem um contraponto do protagonista, não são vilões ou algo tipo, são seres complexos e humanos.

Não posso deixar de elogiar a trilha sonora envolvente e que dá ainda mais sentimento ao longa, não é à toa que “Space Oddity” do David Bowie está nela!

domingo, 3 de abril de 2011

A nova geração de atores do cinema nacional - Homens

Quando falo da nova geração de atores do cinema nacional, me refiro aqueles que se dedicaram a esta arte à partir da chamada retomada, em 1995, com Carlota Joaquina, a princesa do Brasil. Muitos deles, já tiveram ou tem ligação com a tv, sendo que alguns até deixaram a mesma para criar uma história dentro da história do cinema nacional. Eis a lista de atores da nova geração com base em experiência pessoal com o cinema da retomada do Brasil.

Selton Mello

O nome de Selton Mello é importantíssimo em qualquer lista sobre esse assunto. O cara é escancaradamente apaixonado por cinema, tanto que abandonou uma carreira de sucesso na Tv Globo, onde começou, para se dedicar a arte cinematográfica. Está sempre ligado a algum projeto na área do cinema, e uma vez ou outra faz alguma coisa na televisão. Selton não é só um ator, é dublador, roteirista, produtor e já dirigiu um filme, Feliz Natal, alguns clipes e trabalha no lançamento de "O palhaço", seu mais novo longa, onde atua e dirigi.
Entre seus melhores trabalhos estão "O cheiro do ralo", "O Auto da compadecida", "Meu nome não é Jhonny" e "Jean Charles". E suas participações mais fracas se destacam nos filmes "A mulher invisível" e "Federal". Não gosto muito do trabalho dele em "Lavoura arcaica", apesar do filme ser lindo e poético, ele não ficou à altura de alguns atores no qual trabalhou junto.



João Miguel

João Miguel tem um currículo extenso, principalmente no cinema independente e deveria ter um maior destaque perante a mídia brasileira. Seus personagens, na maioria nordestinos, com certeza já fizeram história no nosso cinema.
Ainda não tenho criticas negativas ao ator, adoro seu trabalho em "Cinema, aspirinas e urubus", "Mutum", "Estômago" e nos medianos "A suprema felicidade", "O céu de Suely" e "Se nada mais der certo".









Wagner Moura

A  importância do Wagner Moura para o cinema, além do seu talento, é a grande exposição a qual a sua imagem deu a arte no Brasil. Ele foi outro que se desligou da  televisão e trabalha hoje em prol do nosso cinema.

Wagner Moura tem poucos trabalhos ruins, seu principal destaque é o Capital Nascimento dos filmes "Tropa de Elite 1 e 2", que apesar de transmitir alguns absurdos ideológicos é ainda um bom filme. Gosto do seu trabalho simples em "Abril Despedaçado" e seus personagens caricatos em "Carandiru" e "Ó pai, ó".



Milhem Cortaz

O grande injustiçado do nosso cinema. Um puta ator, com um currículo mais que extenso, com pouco conhecimento e muitos papéis coadjuvantes. Ele é o policial corrupto de "Tropa de Elite", o detento que se arrepende e vira evangélico em "Carandiru", um guarda da  Febem em "Querô", um ladrão em "Nossa vida não cabe no Opala", o bêbado e pai de "Lula, o filho do Brasil", um travesti em "Se nada mais der certo", e um encanador em "O cheiro do ralo". É um dos atores com maior número de trabalhos no cinema e vai estar, finalmente em um papel de destaque em "Assalto ao banco central". 




Caio Blat

Apesar de estar muito ligado a televisão, Caio Blat não deixa de trabalhar para o cinema. Já participou de novelas, séries, comerciais e demais produções do meio audiovisual. Merece nossos aplausos aos seus excelentes trabalhos em "Histórias de amor duram apenas 90 minutos", "As melhores coisas do mundo", "Carandiru", "Batismo de sangue" e suas pequenas participações em "Lavoura arcaica" e "O ano que meus pais sairam de férias".




Rodrigo Santoro

Famoso por suas participações em filmes americanos, de qualidade duvidosa, Rodrigo Santoro é mais um que está sumido da tv por conta da sua paixão por cinema. Seus maiores trunfos estão nos filmes nacionais como "Carandiru", "Bicho de sete cabeças" e "Abril despedaçado".








Lázaro Ramos

Nesses últimos tempos tenho assistido muitos filmes com o Lázaro no elenco, me surpeendi quando vi toda a sua filmografia extensa. Entre seus principais papéis está os filmes do Jorge Furtado "Meu tio matou um cara" e "O Homem que copiava", ele também faz "Carandiru", o fraco "Ó paí, ó" e um dos meus favoritos do cinema nacional "Madame Satã".









Matheus Nachtergaele

Esse podemos dizer que surgiu do cinema. Com poucos trabalhos na tv, Matheus Nachtergaele é destaque por sua colaboração ao cinema no Brasil. Outro que tem uma filmografia extensa e marcado por filmes com temática nordestina, como "O Auto da compadecida", "Amarelo Manga" e "Central do Brasil". Também está em grandes destaques como "Cidade de Deus" e "O que é isso, companheiro?".

Das antigas com destaques na Retomada: Othon Bastos e Marco Nanini


Em Breve:
A nova geração de atores do cinema nacional - Mulheres

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Filmes vistos em janeiro - Parte II

Ando assistindo muito filme em fevereiro, acho que a postagem do próximo mês deve ter umas três partes, por aí. Mas ainda estamos na minha lista de janeiro, com ainda poucos filmes. Ela tá bem misturada tem até concorrente ao Oscar deste ano!

Central do Brasil (1998) - Dirigido por Walter Salles




Na verdade, eu já havia assistido há muito tempo, mas eu era tão "guri" que não lembrava exatamente de nada. Bonito, sensível, emocionante... o que mais? "Central do Brasil" é um daqueles filmes indescritíveis! A direção de Walter Salles e as atuações divinas do elenco, principalmente do menino Vinicius de Oliveira, que me fez acreditar que aquele garoto realmente existia, e de Fernada Montenegro, lhe rendendo uma indicação ao Oscar de melhor atriz, são o ponto alto do longo que ainda concorreu também ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

A Rede Social (2010) - Dirigido por David Fincher


Concorrente ao Oscar nas categorias: Melhor filme, melhor diretor (David Fincher), melhor ator (Jesse Eisenberg), melhor roteiro adaptado (Aaron Sorkin), melhor fotografia, melhor mixagem de som e melhor edição, A Rede Social é o queridinho de muitos no ano de 2010. Mas, sinceramente, não entendo o porque de tanto alvoroço em cima deste filme. Devo admitir que é sim um longa legal sobre uma história interessante, mas é só. Não tem nada tão excepcional nele.

Guerra ao terror (2009) - Dirigido por Kathryn Bigelow


Sei que estou falando muito sobre o Oscar nesta postagem, mas é que, sem querer, acabei assistindo filmes que foram destaques na premiação. "Guerra ao terror", por exemplo, venceu seis categorias na edição do ano passado, incluindo melhor filme. Mas pra mim, apesar de não ter assistido a todos os filmes concorrentes, aquele era o ano de Bastardos Inglórias. Mas tudo bem eu não faço parte do júri mesmo.
Voltando a "Guerra ao terror", o que posso dizer que é um filme mediano, com um começo chato, com a repetição de situações semelhantes, no desarmamento de bombas. Muitos dizem que ele só ganhou tantas estatuetas porque o Oscar é uma politicagem só, afinal mostrar os norte-americanos como heróis é sempre bem aceito para os mesmos, pena que o mundo não engole isso!

Batismo de Sangue (2006) - Dirigido por Helvecio Ratton


Adoro o tema ditadura militar, inclusive é por isso que gosto tanto daquela música "Caminhando e cantando e seguindo a canção...". "Batismo de sangue" é um filme retratado durante esse período, pela visão de um grupo de padres que se envolvem com um grupo guerrilheiro contrário a ditadura militar que governa o Brasil. Uma ótima dica pra quem gosta de história, filme nacional e ditadura militar. Me arrepiei as duas vezes que assistir na cena em que presos cantam o hino da independência. Espetacular!

10 coisas que eu odeio em você (1999) - Dirigido por Gil Junger


Nem tenho muito coisa pra falar sobre "10 coisas que eu odeio em você. É um filme legalzinho com algumas histórias batidas, comuns em comédias românticas. E no elenco tem o falecido Heath Ledger, o coringa de "Batman - O cavalheiro das Trevas" que foi encontrado morto em sua casa devido a uma overdose de medicamentos.

Garotos de Programa (1991) e Elefante (2003) - Dirigido por Gus Van Sant



Estava olhando Biografia do Gus Van Sant lá no filmow (Rede social voltada ao cinema) e lendo todas sinopses dos seus filmes, isso foi o bastante pra começar a ver as suas obras. Comecei com "Garotos de Programa" que me decepcionou um pouco, mesmo tendo uma temática marginalizada (outro motivo para assistir os filmes do Sant) o longa não superou as minhas expectativas. Mas aí baixei "Elefante" e toda a imagem mediana do diretor foi para as "cucuias". Agora quero ver "Milk - a voz da igualdade" e "Paranoid Park".

Maconha (2000) - Dirigido por Ron Mann


Documentário esclarecedor e com uma certa dose de humor. Importante para entender o porque da legalização da maconha e esclarece tudo que envolve o tráfico de drogas. Uma verdadeira aula política e social. Assista, se informe antes de falar e legalize já! Veja no youtube ou baixe:

O Selvagem da Motocicleta (1983) - Francis Ford Coppola


Certa vez fiz um trabalho sobre o Coppola, na época em que postei uma crítica para "Vidas sem rumo", e aí baixei um monte de filmes dele pra assistir, como "O Poderoso Chefão" e "Apocalipse Now". "O Selvagem da motocicleta" estava salvo no computador abandonado por um bom tempo, quando eu resolvi assistir. Todo em preto e branco, o filme traz mais um trabalho de imagens bonitos vindo do Coppola, e lembra muito "Vidas sem rumo", não só pela presença do ator Matt Dilon como também pela temática: Jovens, moradores da periferia envolvidos em gangues e brigas. Não é um trabalho maravilhoso, nem mediano, pode ser encaixo entre os dois termos.

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