quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O Funk é o novo Punk?

Não sei se isso é juventude ou é eterno. Essa inquietação, transformação e medo. Por vezes quero que termine, por outras que nunca acabe. Em boa parte da minha vida poucas coisas entendi, em outras sou leigo e de tantas prefiro o erro e, em consequência, a mudança. Porque ela é sempre bem vinda! Hoje, na minha verdade, a coisa ainda permanece preta, Chico! O Sistema continua falido, mas o prisma sempre bate em alguém e esse alguém se expande. A formação ainda está em pé e contracultura ainda vive por mais que tenha mudado de posição.

O consumo dita o valor de cada individuo (Não é verdade absoluta é senso comum). A propaganda espalha aos quatro ventos os modelos de homem, mulher, criança, adolescente e idoso perfeito. Modelo atrelado a um bem de consumo, consumindo coisas que não precisamos e sacrificamos a vida para tê-las. As pessoas se padronizam e isso é o capital. E os grupos do século XX que bateram de frente com todo o sistema se reconfiguraram. A esquerda se reorganizam junto com os neo anarquistas, punks e hippies. O que permanece é um outro modelo de vida, alternativo ao imposto.

Mas há também quem mudou, não pelos antigos, mas pelo novo. Os velhos deram seus importantes passos, o que precisava era de mais pessoas para alongá-los, mesmo que contrariando os que começaram, mas eles acabaram recuando. Será que o recuo é algo natural do ser humano? O rock acabou?

O que faz aquilo que sempre foi sinônimo de progresso ocupar o lugar que antes lhe reprimia? Se o rock chocava pelas suas roupas, pela sua linguagem corporal, comportamento e pelo som; se lutou pela liberdade sexual, individual e coletiva, o que faz uma geração querer ser elite (intelectual ou financeira), pregar a boa música, julgar pela "moral" e os bons "costumes"? Seria uma inversão dos papéis? Seria conservador ou progressista pedi que esse caráter permaneça intacto? O Funk é o novo punk? Mas a ostentação não é contrário do punk? Deixa pra lá, eu devo tá viajando. Enquanto eu falo besteira, nego vai se matando!



Comentário de autor desconhecido no facebook, nada de citação com credibilidade:
Quando um grupo de pessoas não trata o sexo como tabu, além de ter orgulho do próprio corpo e se divertir com ele, aparece a classe média para chamar esse grupo de vulgar. Para a maior parte da classe média, "vulgar" é tudo aquilo que seja: ou cultura popular e afrobrasileira ou comportamento sexualmente livre, porém exacerbado, sobretudo se relativo à sexualidade feminina... É essa classe média que tenta impor sua visão moralista, historicamente baseada no cristianismo e assimilada mesmo entre os não-cristãos dessa classe, sobre sexo e sobre sexualidade... Não percebem que apenas estão fazendo tudo o que o capitalismo sempre quis: tirar a liberdade das pessoas (sobretudo mulheres) sobre o próprio corpo. Por mim, as adolescentes que se divirtam!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

As 10 melhores séries

Parta da ideia de que a verdade não existe e que essa lista é meramente o gosto pessoal, o ponto de vista e a visão de mundo do blogueiro que aqui escreve, que por sinal, vive em constante processo de mudança intelectual e cultural. Em segundo lugar, tente entender que uma lista desse tipo sempre será mutável, afinal o novo sempre vem e o velho está aí para ser descoberto. É por esse entendimento que ao longo do tempo, ao assistir mais algumas séries, modificações serão obrigatórias nessa postagem. O terceiro ponto a ser esclarecido é que no meu entendimento, animações infanto-juvenis e animes não se encaixam no termo série (não que eu não goste, pelo contrário, adoro!). As únicas animações incluídas nessa lista serão as de humor e com conteúdo mais adulto. O quarto e o último tópico de esclarecimento é sobre o local de origem da produção, que não será de relevância alguma, pois qualquer série de qualquer lugar do mundo pode estar presente na lista, mas, logicamente, as produções norte-americanas serão maioria, afinal o país mantém um número maior de séries audiovisuais em comparação com outros lugares do mundo.

P.S. O posicionamento das séries estará de acordo com a preferência do autor, da décima a primeira posição. Eis:

10 - Skins





















Na verdade, Skins tem tudo o que eu gosto de ver na tela. Um drama que envolve adolescentes, sexo, drogas e tragédias, embalados pela melancolia e sotaque inglês. Trata-se de um série de seis temporadas, que possivelmente pode ter sua conclusão ainda este ano em dois telefilmes. A série tem como foco o dia a dia de adolescentes da cidade de Bristol, personagens este que se mantém a cada duas temporadas. Ou seja, nas seis temporadas, a série reuniu três diferentes gerações. Apesar do exagero em retratar temas polêmicos como sexualidade, aborto e tantos outros assuntos, a produção se afasta totalmente da superficialidade de uma Malhação, que considero uma das piores retratações da juventude no mundo.

9 - True Blood


True Blood foi um dos tantos produtos que foram nos apresentados a partir da moda vampiresca dos últimos anos, mas com um grande diferencial: a HBO. A série reúne tudo que um fã de vampiros pode querer: sexo, violência, sangue e ação. Com boas doses Trashs e sensuais, True Blood é uma das melhores produções vampirescas dos últimos tempos. Além, é claro, de fazer uma ótima metáfora sobre preconceitos e religião.

8 - Chaves



















Clássico! Incrível o poder de manutenção desse seriado, parece que não envelhece nunca. Há quase 30 anos sendo exibido no Brasil, a serie é ainda um sucesso absoluto, mantendo bons índices de audiência e sendo o coringa da programação de Silvio Santos. A cultura pop brasileira tem o seu mais forte ícone um personagem do seriado, o Seu Madruga batendo de frente com o tão popular Mussum

7 - The Big Bang Theory




















Além do ótimo texto de Chuck Lorry, The Big Bang Theory é um seriado com piadas das melhores referencias possíveis: o mundo nerd. Todos os personagens são interessantes, mas é importante salientar o talento de alguns. O protagonista Sheldon e a ótima interpretação do ator Jim Parsons e a encarnação de Raj pelo Kunal Nayyar.

6 - The Walking Dead




















Não é só porque zumbis correndo atrás de pessoas seja divertido, The Walking Dead tem mais. Além das ótimas cenas recheadas de adrenalina, o seriado tem sacadas muito interessantes em seu roteiro.  Apesar do baixo rendimento no começo da segunda temporada, a estória do apocalipse zumbi tem rendido pontos de viradas surpreendentes e cenas de ação de alto nível.

5 - South Park




















South Park é uma anarquia de humor. Não há perdão, todo e qualquer pessoa pode ser alvo dos personagens. Um seriado que não pode ser levado a serio devida a sua alta contradição. Ao mesmo tempo que a animação mostra-se politica e crítica, mostra-se também preconceituosa e idiota. A verdade é que South Park é feito para incomodar todos, nisso não há preconceitos, e fazer rir, nisso não há dúvidas.

4 - Alice




















Eis a única série brasileira na lista. Infelizmente não há tantas produções brasileiras desse estilo, a Globo e sua estética não conseguiram me agradar em nenhuma criação, apesar de eu sentir uma enorme curiosidade com Capitu (Luiz Fernando Carvalho, 2008). Já com a HBO é outa história, segundo o boca a boca da internet, as séries do canal tem boa repercussão e mantem uma qualidade de bom nível, como é o caso de Alice. Com a recente lei da TV paga, a tendencia é que a produção aumente e mais séries de qualidade estejam presentes na produção nacional, as emissoras já estão investindo. 

3 - Friends




















Além do ótimo texto, que é o alicerce de qualquer sitcom, Friends tem uma mistica envolvente. As relações humanas são a principal temática do seriado, que narra o cotidiano de seis jovens adultos e suas vidas pessoais, profissionais e amorosas. Cumpre a pretensão de ser engraçado e avança na construção dos personagens e nas investidas dramáticas sobre o amor e a amizade que recheiam a narrativa. Uma última qualidade que prova o diferencial e qualidade da série é a capacidade do produto em causar identificação do público, característica que deposita veracidade a qualquer produto audiovisual.

2 - Breaking Bad




















Puta texto! Não há outra forma de dizer o quanto o roteiro de Breaking Bad é sensacional. A começar pelo primeiro episódio, que ao meu ver, é o melhor premiere que existe. Não só o roteiro como direção é perfeita, na verdade, todas as questões técnicas da série são mais que satisfatórias. Fotografia, direção de arte e produção se unem a uma direção sensacional, com enquadramentos bem elaborados, movimentos de câmera impressionantes e manutenção de uma tensão que começa no primeiro episódio e que se terminará no final da série, que se junta ainda com um roteiro bem elaborado, amarrado, com bons ganchos e finais impressionantes. 

1 - Game of Thrones





















George Martin mostrou ser o melhor contador de estórias com a série de livros As crônicas de Gelo e Fogo. Quando a HBO somou forças ao velhinho, não poderíamos esperar nada menos que Game of Thrones. A série mantem uma fidelidade razoável com os livros, mas a sua adaptação mostra-se eficiente e madura trazendo expectativa aos fãs que já leram, além de dar um ótimo aspecto visual a estória.

Ainda preciso ver muitas séries para que essa lista não seja drasticamente mudada, o meu mundo seriado ainda é pequeno, mas pretendo assistir ao máximo que puder. A vida é muito curta para tanto filme, tanto livro, tanta música e tantos seriados, mas farei o meu melhor. Enfim, nos próximos meses as seguintes series serão analisadas: Black Mirror, Anos incríveis, Capitu, Vikings, The following, Sherlock, Star Trek, Dexter, The Borgias, The Tudors, Family Guy, Roma, Boardwalk Empire, Band of Brothers, The Pacific, The Sopranos e The Newsroom.


INDIQUEM AS SUAS SÉRIES FAVORITAS!

domingo, 30 de dezembro de 2012

A Árvore da Vida (2011)


É uma imensa responsabilidade falar de A Árvore da Vida, mas, ao mesmo tempo, uma reflexão obrigatória para todos os que tiveram oportunidade de assisti-lo. O filme de 2011 de Terrence Malick divide opiniões.  Parece não existir meio termo, há os que acham um filme chato e metido a intelectual e os que o reconhecem como uma das grandes obras dos últimos tempos. Eu fico no segundo grupo. Não, eu não sou superior a ninguém por ter amado o longa, nem tampouco um metido a intelectual, se assim definem uns aos outros, alguns membros do time do ódio e do time do amor ao filme.

Cinema não é só entretenimento, acima de tudo é uma arte e é um grande engano ir ao cinema pra vê apenas o que gosta. Por exemplo, As vantagens de ser invisível é um tipo de coisa que eu gosto de ver, já Violência Gratuita é o contrario, mas não posso deixar de reconhecer que o segundo filme é melhor e mais importante do que o primeiro. É essencial se desprender do egoísmo do gosto para analisar bem uma obra artística.

As pessoas que não entenderam, em todos os sentidos, o filme (e é compreensível), em sua grande maioria, são pessoas providas de uma inocência cinematográfica ou de um vício hollywoodiano e até de uma visão crítica sobre esse tipo de estética. Mas o que mais incomoda nas críticas negativas é o argumento de que o filme não tem estória. Em primeiro lugar, cinema não precisa contar estorinhas com começo, meio e fim. Glauber Rocha, um dos diretores brasileiros mais reconhecidos mundo a fora, não concentrava os seus filmes diante uma narrativa clássica, e sim na sequência de imagens que montavam alegorias para sua crítica social. Em segundo lugar, apesar da abordagem filosófica, o filme conta sim e claramente uma estória. Na verdade, uma estória bem mais próxima do real do que a maioria dos filmes por aí.

O roteiro do filme começa em um futuro onde os pais da família central da estória recebem a notícia do falecimento de um dos filhos. A partir daí e depois de uma longa cena de sofrimento dos personagens, o filme divaga em imagens da natureza e do universo, depois vai ainda mais longe ao tempo cronológico e chega a outro filho em sua fase adulta ainda sofrendo com a morte do irmão. Depois o filme volta à infância dos filhos e a vida da família em conjunto, todos os seus problemas e felicidades.

A Árvore da Vida é um filme diferente para cada pessoa. Lembrou-me muito 2001, uma odisseia no espaço, do Kubrick, que em determinada entrevista sobre o filme de 68, questionado sobre a interpretação do longa, ele falou que o seu filme servia para abrir questões e não solucioná-las. Descrição esta que se encaixa muito bem para o filme em discussão.

Na minha visão, o longa se baseou no questionamento da nossa existência no mundo, sobre a teoria da criação do universo por Deus e da teoria do evolucionismo proposto por Darwin, do relacionamento entre os seres humanos, sobre os sentimentos de amor e ódio e o complexo que é ser um ser racional e não saber de quase nada sobre o que gente realmente é, se realmente somos alguma coisa.

Apesar das inúmeras críticas considerando o filme como um pró-criacionista, no meu entendimento, tendo a ideia de que a obra é única para cada individuo, o longa se mostrou muito mais aberto ao questionamento. Não posso deixar de dizer que o filme abala o ateísmo, mas não por mostrar uma verdade absoluta e sim por abrir questionamentos. Um ponto interessante é a relação do filho, personagem principal, com o seu pai, que metaforicamente pode representar o ser humano e a relação conflituosa com uma divindade. Além dessa situação temos ainda vários outras relações entre a família que representam metáforas existenciais muito interessantes.

Esse filme teve forte impacto na minha vida, falo filosoficamente, esteticamente e artisticamente. Me fez ficar madrugadas sem consegui dormir, pensando sobre o que é arte e sobre o que é vida. Mesmo assim, a obra, não fez eu me esclarecer nessa neblina que é o ser humano. Eu ainda continuo no escuro e sendo um humano ignorante, mas agora, talvez, mais questionador. Vale muito a pena ser assistido!



domingo, 9 de dezembro de 2012

Uma relevante discussão sobre o humor

Continuo não achando maldade nas piadas "preconceituosas", mas, hoje, enxergo um certo egoísmo vindo da minha parte. Convivi em meio a esquerda, me interessei pelo Feminismo e tantos outros grupos que defendem a minoria no Brasil, sou educado e tenho fácil acesso aos instrumentos de comunicação, sou muito bem informado. No meu meio poucos são os que se importam com os direitos das mulheres, dos gays e dos negros, por exemplo. Quando vejo uma piada preconceituosa, considero apenas uma piada. Mas isso sou eu.

Uma piada pode sim reforçar um preconceito e muitos "humoristas" podem ser preconceituosos. Quando não me importo com esse tipo de piada, falo apenas de mim, mas e o resto das pessoas? Muitas delas contam piadas sobre mulheres e negros pra reforçar seu argumento de superioridade. E isso acontece muito.
Mas também não podemos considerar a piada o principal inimigo da discurso de liberdade e igualdade. O principal inimigo está nos discursos sérios vindo de pais machistas, de lideres religiosos homofóbicos e de classe média "sofredora" desse país. Ah... e como a gente convive com essas pessoas! Encontramos na nossa família, na nossa televisão e em meio aos nossos amigos.

É comum, e desprezo esse brincadeira, de chamar os amigos de viado, quando algum deles fazem alguma coisa que vai de contra a normalidade do grupo. É comum também chamar de putas todas as garotas que se libertem sexualmente e isso é muito triste! Na real, as nossas escolhas como individuo para individuo, deveriam ser classificadas de acordo com a identificação, a partir dos discursos, das escolhas e do estilo de vida.

Você pode ser o que quiser, ver o que quiser, gostar do que quiser, você só não pode ser, e isso é paradóxico, uma coisa que impeça o outro de ser, ver e querer. É muito fácil para galera do orgulho Hétero, dos grupos de homens e para os brancos considerar as lutas e os militantes dessas causas como idiotas. Não são eles que sofrem pelo fato de serem apenas alguma coisa. E aos que acham que o preconceito já não existe, eis um grande engano: "Uma em cada cinco mulheres já sofreu violência de parte de um homem, em 80% dos casos o seu próprio parceiro. Em 2011, o ABC paulista teve um estupro (reportado!) por dia." (...) "A probabilidade de ser vítima de homicídio é 12 vezes maior para adolescentes homens e, dentro desse grupo, quatro vezes maior para jovens negros. De cada três jovens assassinados, dois são negros. A população negra teve 73% de vítimas de homicídio a mais do que a população branca." (...) " só nos primeiros dois meses de 2012, foram 80 assassinatos confirmados. Mantido esse padrão, teremos 500 homossexuais assassinados até o final de 2012. Nenhum país do mundo mata tantos homossexuais quanto o Brasil."

E para os que acham que esses dados são um monte de baboseira e que os homens, brancos e os héteros também sofrem com a violência (e realmente sofrem), é bom lembrar que os casos citados acima foram causados por preconceituosos sexuais, pela deficiência social e pelo machismo.

P.S. A contra-cultura sempre foi de contra os preconceitos, então você que é jovem, fique ligado, os movimentos culturais sempre foram e sempre serão politizados, sempre questionaram a "moral e os bons costumes". A arte, no geral, é um mistura de manifestação artística, corporal e social. Envolva-se na arte, completamente, outro mundo surgirá!

P.S. 2 Fica o vídeo para a discussão nos limites do humor. Escute ambos os lados, PENSE e tire suas conclusões.

sábado, 27 de outubro de 2012

É proibido proibir!

Famoso discurso de Caetano em um festival televisivo de música popular brasileira em 1968. Vindo de um histórico onde pessoas saíram revoltados as ruas contra a guitarra elétrica, ainda não entende-se nada, em determinados sentidos, algumas coisas mudaram, outras permaneceram iguais. O discurso é o mesmo de ambos os lados, os velhos e bundões permanecem com o antigo, já outro lado tenta mostrar que o novo sempre vem.  Viva o novo!

"Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês têm coragem de aplaudir, este ano, uma música, um tipo de música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado! São a mesma juventude que vão sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem! Vocês não estão entendendo nada, nada, nada, absolutamente nada. Hoje não tem Fernando Pessoa. Eu hoje vim dizer aqui, que quem teve coragem de assumir a estrutura de festival, não com o medo que o senhor Chico de Assis pediu, mas com a coragem, quem teve essa coragem de assumir essa estrutura e fazê‑la explodir foi Gilberto Gil e fui eu. Não foi ninguém, foi Gilberto Gil e fui eu! Vocês estão por fora! Vocês não dão pra entender. Mas que juventude é essa? Que juventude é essa? Vocês jamais conterão ninguém. Vocês são iguais sabem a quem? São iguais sabem a quem? Tem som no microfone? Vocês são iguais sabem a quem? Àqueles que foram na Roda Viva e espancaram os atores! Vocês não diferem em nada deles, vocês não diferem em nada. E por falar nisso, viva Cacilda Becker! Viva Cacilda Becker! Eu tinha me comprometido a dar esse viva aqui, não tem nada a ver com vocês. O problema é o seguinte: vocês estão querendo policiar a música brasileira. O Maranhão apresentou, este ano, uma música com arranjo de charleston. Sabem o que foi? Foi a Gabriela do ano passado, que ele não teve coragem de, no ano passado, apresentar por ser americana. Mas eu e Gil já abrimos o caminho. O que é que vocês querem? Eu vim aqui para acabar com isso! Eu quero dizer ao júri: me desclassifique. Eu não tenho nada a ver com isso. Nada a ver com isso. Gilberto Gil. Gilberto Gil está comigo, para nós acabarmos com o festival e com toda a imbecilidade que reina no Brasil. Acabar com tudo isso de uma vez. Nós só entramos no festival pra isso. Não é Gil? Não fingimos. Não fingimos aqui que desconhecemos o que seja festival, não. Ninguém nunca me ouviu falar assim. Entendeu? Eu só queria dizer isso, baby. Sabe como é? Nós, eu e ele, tivemos coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas. E vocês? Se vocês forem… se vocês, em política, forem como são em estética, estamos feitos! Me desclassifiquem junto com o Gil! junto com ele, tá entendendo? E quanto a vocês… O júri é muito simpático, mas é incompetente. Deus está solto! Fora do tom, sem melodia. Como é júri? Não acertaram? Qualificaram a melodia de Gilberto Gil? Ficaram por fora. Gil fundiu a cuca de vocês, hein? É assim que eu quero ver.Chega!"

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Clube da Luta - Chuck Palahniuk

Faz um tempo que vi Clube da Luta, o filme de David Fincher. Não negarei que, a primeira vista, achei um nada demais. Se bem que, naquele tempo, eu era extremamente inocente cinematograficamente. Verei novamente. Sei que minha opinião vai mudar bastante, levando em conta que Clube da Luta, o livro, é um espetáculo literário.

A obra é a anarquia em forma de literatura. Toda pessoa que tem interesse neste assunto deveria ler o livro. Não que ele vai explicar, didaticamente, o que é a anarquia, e sim nos oferecer um ponto de vista de um personagem revoltado com a sociedade, que cria duas organizações secretas: Clube da luta e Projeto Desordem e Destruição, para tentar transformar a sociedade em algo melhor. É aquele ideia do rastafári de destruir a Babilônia (estrutura social, o mundo em si, a sociedade) para construir tudo do começo.

O primeiro grupo, de mesmo nome do livro, o Clube da Luta, na verdade, soa mais como um um refúgio para homens depressivos, frustrados com a sua vida e irados com o com o atual modelo de sociedade, com a mídia e as suas propagandas mentirosas que fazem as pessoas acreditarem que suas vidas podem melhorar se comprar determinado produto. Isso já faz com que a maioria das pessoas se identifiquem, afinal, esse tipo de frustração é constante na maioria dos seres humanos modernos.

Já o segundo grupo, o Desordem e Destruição, esse sim dita todo o tom anárquico da obra. Esse grupo, dedica-se, excepcionalmente, a destruição da sociedade para um novo recomeço, através de ataques a grandes empresas comerciais e outros tipos de movimentos que visam, mesmo sendo  violentos, uma certa justiça social.

Em termos de narrativa, o livro não deixa a desejar. Cada Capítulo é como se fosse uma crônica não linear, misturada com as loucuras e pensamentos do personagem principal. A história é muito interessante e o final surpreendente, o mesmo do filme, que a maioria das pessoas conhecem. Sobre esse final surpreendente, e que a maioria devem saber do que eu estou falando, se assistiu o filme, posso dizer que pareceu bem mais claro a questão do personagem principal e de Tyler Durden, não sei se o fato de eu já saber o que iria acontecer influenciou nessa meu ponto, mas pareceu muito mais claro.

Enfim, se pegarem a nova edição do livro, vocês encontrarão um posfacio super interessante, escrito pelo próprio autor, sobre a repercussão do livro após o filme, que me deixou muito irritado com as pessoas que saem nas ruas com a camisa do Clube da luta. Não pelo fato da primeira regra do Clube da luta ser sobre não falar sobre o Clube da luta, pelo menos não literalmente, e sim pelo sentido filosófico dentro do contexto da história.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Dois curtas do Spike Jonze

Spike Jonze é, simplesmente, divino. Ás vezes, fico pensando o quanto é difícil ser original, se a cada vez mais, tudo está sendo feito. O Spike não é só original, como também, é um grande nome do cinema mundial. Desde seus clipes de bandas indies, até os longas Quero ser John Malkovich, Adaptação e Onde vivem os monstros, ele vem mostrando o seu enorme talento. 

Com seus roteiros melancólicos e, aparentemente, inocentes; personagens, psicologicamente, bem elaborados e a sua fotografia triste, as obras de Spike Jonze marcam por seu tom poético, politizado e filosófico. 

Os dois curtas a seguir são Estou aqui, uma obra que fala sobre sentimentos e diferenças dos seres humanos e Scenes from the suburbs, que em parceiria com a banda Arcade Fire, produziu uma extensão do clipe da música The Suburbs, do último álbum da banda. Em ambos os curtas, já ouvi diversos tipos de interpretações que fogem do sentimentalismo escrachado das duas obras. Spike Jonze não é só poesia, há muito mais, implicitamente, em tudo que ele faz.


 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Precisamos falar sobre Kevin (2011)

Não sou psicólogo para dizer exatamente o que é um psicopata. Já li alguns texto e futuramente pretendo ler um livro que fala sobre o assunto. Mas, tentando ser o mais simplista possível, tentarei explicar o que é isso. Antigamente, no meu esteriótipo mundinho infantil, eu pensava que os psicopatas eram pessoas loucas que saiam matando todo mundo. Não é bem assim. A psicopatia é um especie de diferença mental na qual o individuo é caracterizado pela ausência de sentimentos e pelo grave desvio de caráter, devido a falta de remorso e culpa, a frieza e a insensibilidade aos sentimentos alheios.

Em “Precisamos falar sobre Kevin”, baseado no livro homônimo, na qual a capa é a foto de um garoto com cabeça de bicho (clique aqui para ver a imagem), o que já adianta um pouco sobre a história, vemos o processo de crescimento de Kevin, um garoto com fortes traços de psicopatia. Toda a história é contada pelo ponto de vista de Eva, mãe do garoto, que percebe desde muito cedo o comportamento diferente do filho.

Desde muito pequeno, nós percebemos aspectos desse problema na personalidade do garoto, ele é extremamente inteligente, irritante, cruel, manipulador, sem remorso e mentiroso. Quando muito pequeno costumava se recursar a brincar com a mãe e demora muito tempo para começar a falar. Já um pouco maior, por volta dos 8 anos, ainda usava fralda e costumava fazer bagunça com a comida, tudo isso apenas para irritar a sua mãe. Como no caso em que, depois de um longo dia de trabalho dela, decorando o seu quarto, o garoto, em questão de segundos, destrói todo o trabalho feito. Já jovem mata o bicho de estimação da irmã e depois de ser pego pela mãe se masturbando continua a fazer encarando-a. Isso é tudo muito perturbador. Parece que há um certo tipo de obsessão do garoto pela mãe, ele tenta, ao máximo, fazê-la infeliz. Ao contrario do pai, na qual o seu comportamento era totalmente diferente, levando a um certo tipo de manipulação dele para que o pai não perceba a sua crueldade e por isso ponha ele contra a mãe.

Em determinada cena mostra-se o pai e o filho jogando vídeo game. Mesmo não se aprofundando no assunto, o filme abre uma discussão. Muitas pessoas acreditam que filmes e jogos violentos influenciam na personalidade das crianças e a torna-as cruéis. Eu discordo totalmente. A minha geração, por exemplo, foi criada consumindo produtos considerados violentos e eu não conheço nenhum amigo meu que foi influenciado por isso. É porque, normalmente, a mídia tenta justificar acidentes como o da estreia de Batman nos EUA, culpando os grandes produtos da cultura pop. Esse tipo de coisa não faz sentido, até porque o atirador do cinema com certeza tem algum tipo de problema, podendo ser até um psicopata. Na verdade, pelo contrário, esses tipos de produtos são positivos, pois ajudam as pessoas a diferenciar a realidade da ficção e do que é certo e o que é errado.

Devemos elogiar totalmente o trabalho da direção do filme, é simplesmente espetacular. Como o uso do vermelho em cena, por exemplo. Pra começar o filme começa com muito vermelho, na qual a personagem Eva esta no meio de um evento conhecido como Tomatina, uma guerra de tomates que acontece na Espanha. Esta cor está sempre relacionada com o sofrimento da personagem e as suas sequelas pós-tragédia. Uma dica disso é no começo do filme, na pressa em pegar o elevador. o botão é vermelho. Ou seja, o vermelho é algo que a prende ao passado na qual ela tenta se limpar, tanto do corpo, depois da Tomatina, tanto da casa que aparece certo dia suja dessa cor na entrada.

Outra parte espetacular do filme é a cena em que Kevin sai do ginásio após a tragédia. Neste momento entra um áudio de pessoas aplaudindo e gritando por ele, como se fosse um show na qual ele é o espetáculo. Áudio esse que não tem nada haver com a reação das pessoas fora do ginásio. Isso resume o sentimento do personagem de chamar atenção e fazer a mãe sofrer novamente, mas também pode soar como uma crítica a sociedade. Como no termo A Sociedade do Espetáculo, na qual uma grande maioria das pessoas constroem uma imagem de vida feliz e de politicamente correta para se mostrar para as outras pessoas, numa tentativa de ser aceito.

Outra coisa bastante interessante é essa incessante procura por culpado que a sociedade busca, na tentativa de justificar algo que é obvio. Nesse caso é óbvio que o garoto tinha problemas e que o desastre é culpa dos problemas do garoto. Mas o que acontece é que a comunidade culpa a Eva a todo momento. Ou foi isso que pareceu, afinal a agressividade das pessoas da comunidade pode ser uma paranoia da personagem que se culpa como ninguém. Afinal o vermelho está ali a todo momento, mostrando a culpa, o sofrimento e a tristeza de Eva. Então fica a dúvida.

Mas, eu me pergunto, o que fazer se a gente descobrir que um amigo ou parente nosso é um psicopata? Afinal, segundo estimativas, uma a cada trinta pessoas são psicopatas. Lembrando que psicopatas não são, necessariamente, assassinos. "Eles geralmente são médicos, lideres religiosos - daqueles que roubam o dinheiro dos fiéis sabe, políticos, advogados, o amigo que pega dinheiro emprestado e não devolve, aquele que bota a culpa em outros, especialistas em fazer você acreditar na mentira deles, esse tipo de pessoa vive praticamente duas vidas ou mais ao mesmo tempo e não conseguem dar um deslize para que outros saibam que aquilo o que ele diz é mentira. A psicopática geralmente vem agregada ao mentiroso compulsivo." (Fonte) O que fazer? É bem complicado, mas se a gente desconfiar dessas coisas deve-se fazer um encaminhamento a um psicólogo pra tentar descobrir se realmente trata-se disso, pra depois ter um acompanhamento psicológico desse individuo, ou sei lá, tomar alguma providência.



Pra terminar esse imenso post, gostaria de elogiar também os atores. Todos, desde a atriz que fez Eva (Tilda Swinton) até o Kevin em suas diferentes fazes. O filme é um trabalho primoroso de acertos em todos os aspectos e já se tornou um dos meus longas preferidos. Futuramente pretendo ler o livro também, aí quem sabe uma resenha role por aqui.